CNJ aponta falhas da Justiça no Paraná
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Diego Ribeiro e Rosiane Correia de Freitas<BR>Equipe da Folha 
Curitiba- A Justiça do Paraná apresenta baixo índice de informatização e de gratuidade. Os dados são da pesquisa Justiça em Números, divulgada ontem pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O estudo foi elaborado a partir de dados coletados em 2007 nos diversos níveis da Justiça Brasileira.
O estudo mostra que o Estado investe pouco em informatização. Em 2007, a Justiça estadual gastou apenas 1,3% de sua despesa total com informática. O pior desempenho nessa categoria ficou com o Amapá, com 0,4%. Já o Alagoas registrou o melhor índice, com 4,6%. No Paraná, o CNJ aponta que há 0,56 computadores por usuário da Justiça, o segundo pior índice em todo o país.
É preciso haver a instalação de novas varas e a informatização da Justiça. O sistema usado pelo Judiciário ainda é da Assejepar (Associação dos Serventuários da Justiça do Paraná). Temos um sistema arcaico. Nos dias atuais isso é inconcebível, avalia Alberto de Paula Machado, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional do Paraná.
Segundo o CNJ, o Paraná investiu pouco mais de R$ 29 mil em assistência judiciária gratuita em 2007, o que representa 0,0002% da despesa pública do estado e 0,004% da despesa total do órgão. Isso significa R$ 0,003 por habitante do estado.
Para Machado, o dado aponta para uma exclusão dos menos favorecidos do acesso à Justiça. O Paraná não tem defensoria pública e isso faz aquela máxima verdadeira de que o pobre não tem acesso a Justiça, critica.
O Paraná se destaca negativamente no índice de despesa total com a Justiça Estadual em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. Segundo o levantamento, o gasto com a Justiça paranaense (R$ 664 milhões) representa apenas 0,44% do PIB estadual, o pior desempenho entre todos os estados do país. O Amapá registrou o melhor índice do país, com 1,86%.
O Paraná aplica apenas 4,16% da despesa pública na Justiça, um índice inferior ao do Distrito Federal, que investe 12,54% de sua despesa na Justiça. O levantamento aponta que, no Estado, são investidos R$ 64,60 por habitante na Justiça Estadual, um valor distante do aplicado pelo Distrito Federal, que é de R$ 416,06, o maior do país. O menor investimento no Brasil foi verificado no Maranhão, com R$ 44,58.
Em regra geral, o número de investimento está ligado à eficiência do Judiciário. Então, quanto menos investir na Justiça menos eficiente ela será. E isso se revela muito claramente na Justiça Estadual. Em 2007, os advogados fizeram um diagnóstico que apontou o mesmo problema apontado pela pesquisa do CNJ, conclui Machado.


