CNI tem expectativa otimista para economia
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terça-feira, 29 de junho de 1999
Por Gecy Belmonte 
Brasília, 30 (AE) - Após seis meses da desvalorização do câmbio, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) traça um quadro mais animador para a economia brasileira encerrar este ano: o Produto Interno Bruto (PIB) deverá ter uma queda entre 0 5% a 1%, em vez dos 2% a 3% previstos inicialmente, enquanto a queda da produção industrial, que em 1998 foi de 2,3%, deverá ficar em 1,2%.
Esta expectativa otimista não alcança, contudo, a balança comercial: com exportações estimadas em US$ 50,6 bilhões e importações de US$ 49,6 bilhões, deverá obter um superávit de somente US$ 1 bilhão, bem abaixo dos US$ 4 bilhões projetados pelo governo na revisão do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) no mês passado.
As previsões sobre o desempenho da economia feitas pela CNI constam do documento "Economia Brasileira - Desempenho e Perspectivas (edição especial)", e foram divulgadas hoje pelo presidente da entidade, senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), que também é lider do governo no Senado Federal. Bezerra informou que além da queda do PIB e da produção industrial serem menores que o esperado, a inflação também deverá ficar na casa dos 7% este ano (variação pelo IPCA), apesar dos últimos reajustes de tarifas públicas. "Após seis meses da desvalorização do câmbio, os resultados são melhores do que os esperados pelo próprio governo", observou.
Na avaliação dos economistas da CNI as perspectivas para o segundo semestre são de uma recuperação gradual da economia, condicionada à continuidade da redução da taxa real de juros. "Esperamos uma taxa real de juros inferior a 10% até o final do ano", disse Fernando Bezerra, ressaltando que o bom desempenho da agropecuária e a recuperação dos setores produtores, especialmente de bens não duráveis, serão os responsáveis pela menor queda do PIB e da produção industrial neste ano.
A recuperação gradual da atividade econômica também se refletirá no nível de emprego. Embora se mantenha, o desemprego será menor nos próximos seis meses, devendo fechar o ano com uma taxa entre 7% e 7,5% em vez dos 8% previstos inciialmente, conforme o documento da CNI. O coordenador da Unidade de Política Econômica da entidade, José Guilherme Reis adiantou, contudo, que não haverá espaço para ganhos reais de salário neste segundo semestre.
O presidente da CNI disse que o governo deve continuar atento a duas questões cruciais para o desempenho da economia até o final do ano. A primeira, é a questão fiscal, aprovando a reforma tributária ainda neste ano. A segunda, é o comércio exterior que, mesmo com a liberação do câmbio, ainda precisa de uma política efetiva que leve ao aumento das exportações. José Guilherme Reis ressaltou que o superávit previsto de US$ 1 bilhão, devá ser obtido basicamente com a queda das importações, estimada em 14% em relação a 1998.
Segundo a CNI, nos cinco primeiros meses deste ano, as vendas externas se reduziram em 17% com relação a igual período de 1998. Para agravar este quadro, a venda de manufaturados entrou em forte retração, com queda de demanda especialmente dos países latino-americanos, que respondem por mais de 40% das importações do setor. "As vendas para o Mercosul estão quase que paralisadas, sendo que Argentina, Uruguai e Paraguai respondem por cerca de 30% das vendas brasileiras de manufaturados", observou José Guilherme Reis.
Conforme o documento da CNI, a balança comercial deverá acumular no primeiro semestre deste ano um déficit em torno de US$ 500 milhões, o que traduzirá uma queda de 14% e 18%, respectivamente, nos valores exportados e importados. Fernando Bezerra disse que para o ano que vem as perspectivas são melhores, mas não muito promissoras. Salientou, contudo, que tudo irá depender da aprovação das reformas estruturais e da manutenção da queda dos juros. "Se isso for feito o PIB poderá ter uma crescimento de 3% a 5% no ano 2.000", enfatizou.


