CNI tem estimativa modesta para superávit da balança
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domingo, 23 de abril de 2000
Por Irany Tereza 
Rio, 24 (AE) - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) mantém uma estimativa mais modesta do que a do governo para o superávit da balança comercial este ano: US$ 3 bilhões. Apesar de as exportações estarem, segundo os técnicos da entidade, em recuperação, os resultados da balança têm apresentado algumas surpresas. A maior delas este ano foi o crescimento das importações além do esperado em março. Com base neste desempenho, a CNI diz que o resultado de abril não pode ser feito levando em conta apenas o bom movimento semanal divulgado hoje pelo governo.
"Até o dia 27 de março, a balança acumulava um superávit no mês de US$ 231 milhões", lembra a analista Maria do Perpétuo Socorro, do Deparamento de Comércio Exterior da CNI. "De 27 a 31 daquele mês, o movimento de embarque e desembarque deu uma pancada que resultou no relativamente reduzido superávit de março: US$ 42 milhões." A economista citou este exemplo para destacar a imprevisibilidade do resultado de abril.
Em março, a evolução das importações, especialmente matérias-primas e produtos intermediários, surpreendeu os analistas. Maria do Perpétuo atribui o crescimento a dois fatores: a reativação da economia brasileira e o preço do petróleo no mercado internacional, produto que tem grande peso nas compras externas do País. "Vamos acompanhar o movimento de importações e exportações durante todo o primeiro semestre para só então refazer as projeções para o ano", diz a analista.
Ela destaca, porém, que pela primeira vez, depois de 17 meses consecutivos de queda, as exportações tiveram em março saldo positivo, com crescimento de 1,5% no acumulado de 12 meses. Outro dado considerado muito bom foi que as vendas para o mercado externo chegaram a US$ 4,47 bilhões em março, o que representa uma elevação de 16,8% na comparação com o mesmo período de 1999, apesar de, este ano, o mês de março ter tido menos dias úteis devido ao feriado de carnaval. "Para o ano 2000, como um todo, não esperamos um crescimento explosivo das importações", afirma Maria do Perpétuo.


