CNI revela em nota preocupação com confronto
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terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Por Gecy Belmonte 
Brasília, 24 (AE) - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou uma nota hoje, assinada pelos presidentes de 27 federações do setor no País, manifestando a preocupação com o clima de confronto criado entre governadores de oposição e a União, diante da recusa do governo federal em renegociar dívidas estaduais negociadas.
Na nota, os dirigentes industriais afirmam que "a par dos efeitos negativos à imagem externa do País, com prejuízos às relações com entidades e credores internacionais, são geradas perspectivas de confronto, que não contribuem para a superação do grave momento da vida nacional, quando todas as lideranças devem dar exemplo de renúncia e altruísmo".
O presidente da CNI, senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), ao divulgar o manifesto dos industriais, disse que o clima de apreensão entre governadores e União tem de acabar porque está prejudicando o País e afastando os investidores estrangeiros. "O investidor externo fica preocupado quando vê um ex-presidente, ex-embaixador e governador do Estado com o segundo maior PIB (Produto Interno Bruto) do País afirmar que não pagará suas contas", observou, referindo-se ao governador mineiro, Itamar Franco (PMDB).
Bezerra afirmou que, para os presidentes de federações, os compromissos assumidos pelos Estados com as dívidas renegociadas devem ser cumpridos. Segundo eles, caso seja encontrado algum tipo de mecanimo que permita rever pontos da negociação, este deve obedecer as regras contratuais e não comprometer o ajuste fiscal.
Bezerra enfatizou ainda que a CNI não concorda com as propostas apresentadas para revogar a chamada Lei Kandir, que isentou as exportações do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS). "É inadmissível revogar a Lei Kandir porque ela permitiu aumentar as exportações e, consequentemente, o número de empregos; nenhum país exporta imposto", afirmou.
O presidente da CNI informou ainda que a diretoria e o conselho da entidade decidiram manifestaram o apoio ao presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Stephan Salej, que "foi agredido" por Itamar.
Bezerra informou que, por discordar da posição de confronto adotada por Itamar em relação à União, o empresário foi ameaçado de ter as empresas fiscalizadas. "Ameaça de retaliação numa democracia é coisa muito grave; foi uma agressão a todos os empresários", enfatizou Bezerra.
O presidente da CNI, que assumiu a presidência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado na manhã de hoje
também garantiu que irá se empenhar pela aprovação da reforma tributária. "Não votarei mais nenhum aumento de imposto - mesmo do Imposto Verde, que é importante para melhorar as condições de infra-estrutura do País -, caso este não venha no bojo de um projeto de ampla reforma tributária", alertou Bezerra.
Apesar das dificuldades, Bezerra disse que os empresários acreditam que a recuperação do País virá com a aprovação do ajuste fiscal e da estabilidade do câmbio. "O primeiro semestre será muito dificil, mas, a partir do segundo semestre, especialmente no último trimestre, voltaremos a crescer", afirmou. Segundo ele, é importante o ajuste fiscal ser aprovado e as adversidades internas superadas para retomar a confiança do investidor. "Não haverá nenhum investimento no País sem estabilidade econômica, e esta não será conquistada sem união nacional", alertou. "Homens públicos devem deixar questões pessoais de lado", afirmou, observando que Itamar está sendo intransigente ao não dialogar.


