Brasília, 24 (AE) - O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Eduardo Moreira ferreira, defendeu hoje a prioridade às empresas de capital nacional nos financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo o presidente da CNI, o BNDES só deve financiar as empresas estrangeiras se tiver recursos sobrando. "O governo tem elementos suficientes para saber como abrir ou fechar as torneiras. E se tiver dinheiro sobrando, como o presidente do BNDES afirma, não há porque não financiar o capital estrangeiro", observou.
Carlos Eduardo Moreira Ferreira disse que o tratamento concedido às empresas nacionais e estrangeiras precisa ser analisado com cuidado para não cometer o mesmo erro do passado, quando o País discriminou o capital externo. "Precisa haver regras claras porque se estas forem uniformes e a empresa nacional for atendida, não há problema em conceder financiamentos às estrangeiras", observou. O presidente da CNI também se manifestou sobre a possibilidade de o governo destinar parte dos recursos obtidos com o processo de privatização de empresas estatais a programas sociais. Na opinião, dele, há condições de fazer as duas coisas. "Dá para pagar a dívida pública e também destinar recursos a área social", afirmou.
Pesquisa - As declarações do presidente da CNI foram feitas durante entrevista coletiva na qual a entidade divulgou o Índice de Confiança do Empresário Industrial que, em uma escala de zero a 100, avalia o grau de confiança dos industriais na economia do País. Conforme este índice, os principais executivos das 1.129 empresas ouvidas no País estão bastante otimistas com relação ao desempenho da atividade econômica neste semestre. Este índice, que era de 61,7 no terceiro trimestre de 1999, passou para 68,1 no último trimestre do ano passado, registrando um crescimento de 10,5% com relação à expectativa positiva dos empresários para os próximos seis meses do ano.
O mesmo índice também mede o grau de confiança com relação ao momento atual da economia, ou seja, no momento em que a pesquisa estava sendo realizada, no caso entre o final de dezembro passado e o início deste ano. O resultado obtido foi de 55 pontos, sendo a primeira vez desde o início da pesquisa (segundo trimestre de 1998) que os 50 pontos foram ultrapassados
o que representa um crescimento de 13,7% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. Com relação ao índice geral de confiança dos empresários (uma média ponderada entre a expectativa para os próximos meses e o momento atual da economia), a pesquisa mostra o patamar mais elevado desde a sua criação: foram obtidos 63,8 no último trimestre de 1999 (um aumento de 11,4%) em comparação ao terceiro trimestre do mesmo ano.
O presidente da CNI disse que a principal razão para o otimismo dos empresários está na absorção dos problemas causados pela desvalorização cambial, uma vez que esta não teve efeitos tão nefastos como foi apregoado à época. Em segundo lugar, conforme ele, o otimismo está sendo causado pela estabilização do nível de emprego; pela superação do chamado "bug do milênio", que acabou sendo controlado; pelo andamento das reformas constitucionais e pela mudança no comportamento do governo, que passou a ser mais ativo com relação à aprovação da reforma tributária. Moreira Ferreira também explicou que os industriais entenderam o "comportamento conservador" do governo com relação à redução das taxas de juros. "Nossa crença é de que tudo vai melhorar e de que poderemos obter um crescimento de 3% para o PIB (Produto Interno Bruto) e de 4% para o PIB Industrial", afirmou.

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