CNI prevê crescimento de 3% no próximo ano
divulgado hoje pela entidade, técnicos da unidade de política econômica da CNI fazem uma avaliação da economia brasileira este ano e trazem uma série de projeções para indicadores econômicos para o ano 2000, alguns diferentes do acordado pelo governo federal junto ao Fundo. "Temos uma posição mais realista do que o governo", afirmou o presidente da entidade, Carlos Eduardo Moreira Ferreira. De acordo com a análise da CNI, a taxa de juros média nominal em 2000 será de 18%, com a taxa real chegando ao patamar de 11%. Moreira Ferreira defende que a atual taxa da Selic, que está em 19%, ainda é muito alta se comparada com a praticada em outros países. Ele espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, reduza este porcentual na reunião que será realizada hoje para discutir o assunto. "Nós gostaríamos que a política atual de redução da taxa de juros continuasse", afirmou. A projeção para a variação do Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) para o próximo ano feita pelos técnicos da CNI é de 7%, enquanto que o acordado com o FMI é de 6%. Outro ponto em que as projeções da Confederação divergem das do governo federal é referente ao superávit da balança comercial. Enquanto no Memorando de Política Econômica, firmado entre o governo e o FMI, a projeção é de um superávit de US$ 5 bilhões, no documento da CNI está previsto um superávit da ordem de US$ 3 bilhões. Moreira Ferreira explicou que o resultado da balança comercial no próximo ano será influenciado positivamente pelo aumento de 12% nas exportações. De acordo com o presidente da CNI, as exportações durante todo o ano de 2000 devem somar US$ 53 bilhões. Os técnicos da unidade de política econômica da entidade, que elaboraram o estudo, projetaram uma taxa de câmbio para dezembro de 2000 em torno de R$ 1,84 por dólar. Em relação ao desemprego, Moreira Ferreira espera uma "pequena queda" na taxa para o próximo ano em relação ao que será apurado agora em 1999. As projeções indicam que este ano a taxa de desemprego no País ficará em 7,5% e para 2000 em 7,3%. Desvalorização - Para o presidente da CNI o aspecto mais positivo do cenário econômico brasileiro em 1999 foi a alteração da política cambial sem que tivesse ocorrido, como consequência, uma escalada inflacionária. Moreira Ferreira destacou também, em relação ao ano de 99, o cumprimento pelo governo das metas fiscais acertadas com o FMI. "Pela primeira vez em muitos anos, o Brasil cumpriu as metas acordadas com o Fundo", disse. Ele criticou no entanto o que classificou de "excessivo peso", para o setor privado, no cumprimento dessas metas fiscais. Para o presidente da CNI, o ajuste fiscal acabou sendo alcançado com forte aumento das alíquotas de impostos cumulativos. Moreira Ferreira frisou que "a maior frustração" no cenário econômico brasileiro em 1999 foi a estagnação da economia pelo segundo ano consecutivo. Pelas projeções elaboradas pelos ténicos da Unidade de Política Econômica da confederação, o crescimento do PIB em 1999 será inferior a 0,5%. O PIB do setor industrial deve registrar uma retração de 1,5%. Moreira Ferreira criticou também a posição do Poder Executivo em relação às reformas estruturais cuja aprovação pelo Legislativo estava prevista para este ano. Na opinião dele, houve "inação" do governo, principalmente no que se refere à reforma tributária. "O governo conseguiu empurrar com a barriga, o que nos desagradou; o Executivo precisa ter uma posição muito mais pró-ativa", disse.Por Renato Andrade Brasília, 14 (AE) - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) prevê para o próximo ano um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3%. Esse valor é um ponto porcentual menor do que o governo brasileiro acertou com o Fundo Monetário Internacional (FMI) na quarta revisão do acordo de ajuda financeira de US$ 41 5 bilhões. No documento "Economia Brasileira - Desempenho e Perspectivas"





