Rio, 18 (AE) - A desvalorização cambial não vai implicar em uma recuperação expressiva das exportações brasileiras no curto prazo, segundo o boletim Comércio Exterior em Perspectiva, cuja edição de janeiro acaba de ser divulgada pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI). No boletim, a CNI lembra que o primeiro trimestre deste ano é um período tradicionalmente fraco de vendas externas por causa da entressafra agrícola de commodities importantes na pauta dos produtos básicos exportados. Além disso, dificilmente se pode esperar que a queda de receita dos produtos básicos possa ser compensada por um desempenho melhor dos produtos manufaturados, como aconteceu no primeiro trimestre do ano passado. Por enquanto, segundo o documento, o financiamento das exportações depende fortemente das operações de ACC, que por serem para as linhas de crédito externo, sofrem impacto negativo imediato em pe ríodos de crise. Segundo o boletim, as empresas, mesmo com incentivos para exportar mais devido à desvalorização terão que descobrir e consolidar novos mercados.
Os técnicos da unidade de Integração Internacional da CNI, responsáveis pelo documento, concluíram que a reação das importações poderá ser mais imediata à desvalorização, enquanto que o efeito nas exportações dependerá do tempo para que a taxa de câmbio fique estável e do tamanho da desvalorização em termos reais. Além disso, a busca de novos mercados vai demandar muito tempo. Os setores industriais consultados para o boletim apontaram a redução de custos sistêmicos como fator fundamental para garantir a competitividade. O exemplo disso é a melhoria do funcionamento dos portos, que está sendo considerada lenta pelas indústrias e uma reforma tributária para desonerar as exportações.

mockup