São Paulo, 16 (AE) - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Agência de Promoções Exportações (Apex) devem investir R$ 11,154 milhões no projeto Centro Internacional de Negócios, uma rede de informações e de integração entre as federações brasileiras e centros de negócios de todo o mundo. O convênio, assinado no início de março entre a CNI e a Apex, vinculada ao Conselho Deliberativo Nacional do Sebrae, é destinado principalmente às micro e pequenas empresas.
O programa pretende fortalecer as federações das indústrias de todo o Brasil que já dispõem de uma infra-estrutura mínima, como o Trade Point São Paulo. É o caso, por exemplo, da federação paulista, a Fiesp, que já dispõe de pontos avançados no Interior do Estado e o Eletronic Trading Opportunities (ETO), um centro de oportunidades de comércio voltado para o exterior.
Os investimentos do projeto serão aplicados num prazo de quatro anos. A Apex cobrirá 32% do valor total do custo, cerca de R$ 3,57 milhões. Durante a execução do programa, a CNI deve até repassar parte das verbas às federações. O projeto não se limitará, portanto, a disponibilizar informações sobre as empresas estrangeiras. O objetivo principal é tornar mais expressiva a atuação das federações, que terão condições de criar bancos de dados mais eficientes, promover eventos, missões comerciais, rodadas de negócios, seminários, treinamento e capacitação de empresas ao comércio exterior, além de fornecer catálogos de importadores e exportadores de todo o mundo e estudos de mercado.
Para atingir as metas do acordo assinado entre o Brasil e o Fundo Monetário Internacional (FMI), como alcançar um superávit na balança comercial brasileira, aumentar as reservas cambiais e superar a marca dos US$ 100 bilhões de exportações em 2002, quase o dobro do resultado apurado em 1997, a CNI já prevê
para maio, o lançamento de uma nova home page na Internet. Nela
os investidores estrangeiros, por meio de um sistema de consulta, poderão conhecer, manter contato e fazer negócios com as empresas brasileiras.
Trade Point - A Fiesp já está tomando algumas providências para alavancar as exportações e auxiliar empresários em busca do mercado externo. Um dos programas é o que estende o Trade Point São Paulo para os empresários do interior paulista. Trata-se do "Projeto Piloto de Trade Point "remotos", um serviço da entidade, já existente em São Paulo, que oferece consultorias e pesquisa de mercados, realiza rodadas de negócios e missões comerciais e orienta o empresariado em feiras, mostras e eventos internacionais.
Já apresentado às diretorias dos Ciesps de Bauru, Campinas, Limeira, Osasco e São José dos Campos, entre as 41 regionais espalhadas pelo Estado, o projeto integrará os Centros das Indústrias a uma rede eletrônica de 145 núcleos, em 108 países. Os empresários associados terão à disposição diretórios com informações de empresas estrangeiras e de mais de 50 mil brasileiras importadoras e exportadores.
A regional que implantar o sistema também terá acesso à rede de oportunidades comerciais, a Eletronic Trading Opportunities (ETO). Os custos para contratação de técnicos especializados em comércio exterior e infra-estrutura mínima de equipamentos para colocar em funcionamento o projeto devem ser arcados pela própria diretoria do Ciesp. Entidades não associadas ao sistema Fiesp/Ciesp poderão entrar em contato com o Trade Point São Paulo para saber como participar do projeto. Neste caso, estas entidades deverão fazer um investimento inicial de R$ 25 mil.
Foi através do Trade Point de São Paulo, serviço da Fiesp coordenado pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex), que as empresas D. Premiere Indústria e Comércio e Maxter Brasil Ltda. começaram a exportar fibra de vidro para uma empresa americana, fabricante de equipamentos. No Brasil, o material, considerado altamente poluente, é destinado a aterros sanitários.
Representante das duas empresas, o consultor Joaquim Mora Fernandes trabalhou quase um ano para fechar o negócio. Depois de identificada a empresa com interesse nesse produto, o Trade Point aproximou as duas partes. "Não é só pegar a lista de possíveis compradores e esperar que eles se aproximem. É preciso que o empresário corra atrás das oportunidades", disse Mora. Agora, ele tentar emplacar a exportação de café torrado e moído da empresa Café Jardim para o mercado europeu, onde já fez diversos contatos com supermercados na França.

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