Cni diz que nova projeção para balança comercial ainda é "otimista"
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terça-feira, 01 de junho de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 02 (AE) - A nova previsão de saldo da balança comercial deste ano do governo, entre US$ 3,5 bilhões e US$ 5,5 bilhões, ainda é "otimista", alertou hoje o coordenador-adjunto da Política Econômica da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Flávio Castelo Branco. "Trabalhamos com um resultado de US$ 2 bilhões ou US$ 2,5 bilhões, mas isto ainda tem de ser avaliado", afirmou.
O comportamento da balança comercial vai depender da trajetória do Produto Interno Bruto (PIB), cuja queda refrearia as importações, melhorando o resultado da balança, explicou o economista, ao comentar a edição de maio do "Informe Conjuntural" da CNI. O resultado de até US$ 2,5 bilhões seria atingido caso o PIB ficasse estável ou caísse apenas 1%.
A meta de US$ 6 bilhões de resultado, feita pela CNI quando o governo ainda estimava US$ 11 bilhões, já foi abandonada, porque dependia da retração de até 3% do PIB. No informe divulgado hoje pela entidade, a Unidade de Política Econômica da Confederação previu que embora as exportações comecem a se recuperar a partir do segundo semestre, somente no ano que vem elas terão um desempenho significativo.
Castelo Branco explicou que somente no ano que vem a economia mundial deve entrar em expansão, o que beneficiará o setor exportador. Segundo o economista, uma possível retração da economia norte-americana pela alta dos juros poderia ser compensada pela recuperação de outros mercados, como o Sudeste Asiático e a América Latina.
"A ásia já mostra sinais de recuperação", afirmou o coordenador-adjunto de economia. Ele também interpretou positivamente os resultados da balança comercial e da taxa de desemprego, divulgadas ontem. "Esperávamos um aumento do desemprego, e ele não aconteceu", explicou o economista.
De acordo com o informe da CNI, o ritmo da queda dos juros brasileiros deve ficar mais lento, por três razões. A primeira é a adoção da tendência de alta dos juros do Federal Reserve (Fed), o Banco Central norte-americano. A piora das expectativas com a Argentina e a incerteza quanto ao suporte político à política econômica foram outras duas razões apontadas pela entidade.


