Rio, 24 (AE) - A nova estimativa do governo federal para os resultados da balança comercial neste ano deve ser superior ao resultado concreto, segundo o boletim "Comércio Exterior em Perspectiva", divulgado hoje pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI). Segundo o documento, a meta revista do governo
entre US$ 3,4 bilhões e US$ 5,4 bilhões, deve ser considerada como um "teto", cuja obtenção depende de condições do mercado interno e da economia internacional, que ainda são incertas.
A meta do governo dependeria do aumento das exportações, com a queda dos preços dos produtos vendidos para o exterior, e a queda das importações resultante da esperada redução de 2% ou 1% do Produto Interno Bruto (PIB). Mas o documento alerta que as exportações enfrentam dificuldades para voltar a crescer, enquanto que há a possibilidade de a queda do PIB ser menor do que as estimativas do governo, incentivando a compra de produtos do Exterior.
"Há uma série de fatores que têm impedido o crescimento maior das exportações", afirmou a coordenadora do boletim, Maria do Perpétuo Socorro Lima. Entre as razões, estão a manutenção de preços baixos para os produtos primários (commodities), a restrição do financiamento às exportações, que estão sendo feitas apenas para os principais exportadores.
A redução da atividade econômica das economias latino-americanas provocou a revisão da previsão de exportações do setor automotivo, inicialmente de crescimento de 10%. A nova estimativa da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) é que as exportações fiquem em US$ 5 bilhões neste ano - resultado igual ao de 1998.
Principal produto da pauta de exportações no ano passado
o minério de ferro também não deve ter crescimento nas vendas, de acordo com a CNI. O boletim prevê melhorias para os setores siderúrgico e calçadista - este deve começar a ampliar suas vendas a partir do segundo semestre. Segundo a entidade, as exportações de suco de laranja e carne de frango deverão ter aumento expressivo da receita.
Dólar - Segundo o boletim, a oferta de dólares nos próximos meses no mercado brasileiro vai estar garantida. As razões para isso são o aumento gradual das captações de recursos externos, a continuação da melhora do quadro doméstico, e o esperado aumento das exportações.
Maria do Socorro alertou, no entanto, que se a Argentina desvalorizar sua moeda e a crise no país vizinho se agravar, as captações de dinheiro do Brasil no exterior podem ser dificultadas.
A economista lembrou que toda vez que uma economia emergente entra em crise, a tendência dos investidores internacionais é retirar-se destes mercados, sem fazer a diferenciação entre os países em desenvolvimento.
No entanto, a coordenadora afirmou que a possibilidade do fim da paridade entre o real e o dólar é mínima, pelo consenso existente na sociedade argentina para defender a medida.
Frustração - O boletim definiu como "frustrante" o resultado das exportações em abril, que gerou superávit de apenas US$ 30 milhões. Segundo a CNI, contribuiu para prejudicar o resultado o menor número de dias úteis do mês, na comparação com abril de 1998 (19 dias contra 20 dias), e a greve da Receita Federal nos últimos dois dias de abril. Desta forma, a comparação entre abril com abril de 1998 mostrou redução de 18 9% das exportações.

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