CNI divulga estudo; Bezerra pede atenção para questão fiscal
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terça-feira, 29 de junho de 1999
Por Gecy Belmonte 
Brasília, 30 (AE)- O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), disse hoje que o fato de as consequências da crise externa sobre a economia brasileira neste primeiro semestre do ano não terem sido tão graves quanto se havia esperado não quer dizer que o governo deva ficar desatento a questões cruciais para o desempenho da economia, no segundo semestre do ano. Bezerra fez estas afirmações após divulgar o documento "Economia Brasileira - Desempenho de Perspectivas", elaborado pela Assessoria Econômica da entidade. O senador disse que é preciso ficar atento à questão fiscal, promovendo um ajuste fiscal de longo prazo. Em sua avaliação, o ajuste fiscal de curto prazo feito até agora foi baseado em aumentos de tributos que oneraram a produção. Segundo o senador, precisa haver um controle de gastos públicos e, para isso, é essencial que sejam votadas a Lei de Responsabilidade Fiscal e a reforma tributária.
Tributo - Bezerra, que é líder do governo no Senado, afirmou que não votará mais nenhum novo tributo se este não estiver contido na proposta de reforma tributária. "Não votarei nem mesmo o imposto sobre combustível, que é uma bandeira do meu partido, porque a carga tributária já chegou ao limite do suportável", afirmou.
Após a divulgação do documento, o senador relatou que se encontrou, ontem, com o presidente da Comissão Especial de Reforma Tributária, deputado Germano Rigotto (PMDB-RS), e com o relator da proposta, deputado Mussa Demes (PFL-PI). Ele disse acreditar que a proposta será votada na comissão até agosto. Com isso, acredita ser possível que possa ser votada pelo Congresso ainda neste ano para entrar em vigor no ano 2000. Segundo o presidente da CNI, essas duas propostas, se aprovadas, permitirão um ajuste fiscal de longo prazo.
Juros - Para Bezerra, há uma perspectiva favorável de recuperação gradual da economia do País no segundo semestre deste ano. Ele ressaltou contudo que, para isso ocorrer, é necessário continuar reduzindo os juros, para que alcancem uma taxa real inferior a 10% até o fim do ano. Bezerra disse ainda que, mesmo que haja uma eventual alta dos juros nos Estados Unidos - o que teria reflexo direto na condução da política de juros brasileira -, é possível continuar reduzindo as taxas internamente, porque o Brasil tem hoje uma taxa de 21%, "que não existe em nenhum país do Cone Sul, por exemplo".
Na análise do senador, a mudança no câmbio ajudou as exportações, mas ainda falta a definição de uma política efetiva para o comércio exterior do País. Os dados da CNI revisados para este ano prevêem um superávit comercial de apenas US$ 1 bilhão, proporcionado muito mais pela queda das importações que pelo aumento das exportações. O grande responsável por esta queda, conforme a entidade, é a crise na América Latina, onde estão os maiores importadores brasileiros e para onde as vendas estão praticamente paralisadas.
Trabalho - Com relação ao nível de emprego, a CNI está fazendo uma previsão mais otimistra. Sua expectativa é de que a taxa fique entre 7% e 7,3%, depois de uma previsão inicial de 8%. Mas, segundo a entidade, não deverá haver ganho real nos salários. Bezerrra disse também que, apesar desse quadro de retomada gradual do crescimento econômico e das implicações que as mudanças na economia têm sobre o Brasil, a entidade espera que, no próximo ano, haja um crescimento do PIB entre 3% e 5%. Mas, para isso, é necessário que as reformas estruturais sejam de fato implementadas e que os juros continuem declinantes.


