CNEN exige substituição de pára-raio radioativo
Marcos Zanatta
Os pára-raios radiativos, que são considerados ineficazes, devem ser retirados de edifícios e recolhidos em depósitos credenciados pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). O alerta é do professor Nilson Benedito Lopes, coordenador de Proteção Radiológica da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
O equipamento começou a ser produzidos no Brasil no início da década de 70 e foi proibido há 10 anos pelo CNEN. Lopes alerta que os pára-raios radiativos não podem ser retirados sem a participação de pessoal capacitado.
Os aparelhos, usados como proteção contra descargas elétricas da atmosfera, contêm o elemento radiativo amerício 241, que emite partículas alfa com meia cida de 432 anos. Resumindo, quer dizer que uma grama do material contido no pára-raio demora 432 anos para perder metade do poder de emissão de partículas. Muito mais perigoso que o césio, que provocou uma tragédia em Goiânia, recorda. O maior perigo, alerta ele, é o manuseio inadequado do equipamento.
Lopes conta que dois aparelhos já foram localizados em Maringá sem as mínimas precauções de segurança. O primeiro, identificado há cerca de dois anos, estava em um ferro-velho. O outro foi encontrado por um garoto de 9 anos no mês passado, em uma área rural próxima à cidade.
Por sorte, nos dois casos as pessoas reconheceram o sinal da presença de material radioativo e acionaram a polícia, que nos comunicou. Os dois pára-raios foram retirados, blindados e armazenados em local adequado.
Pelos cálculos do professor Lopes, apenas em Maringá existem mais de 200 equipamentos para ser retirados. Entre o ano passado e o primeiro semestre desse ano já foram retirados 55 pára-raios radiativos, todos encaminhados ao CNEN.
Quem tiver esse tipo de aparelho deve entrar em contato com nossa equipe, aconselha Lopes. A exposição ao elemento radiativo do aparelho pode causar diversos problemas de saúde, inclusive a morte a curto prazo.





