O diretor de Radioproteção e Segurança da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), Ayrton Caubit, confirmou ontem a existência de vazamentos na usina nuclear de Angra 1, no Rio. Ele explicou, no entanto, que os vazamentos não oferecem nenhum perigo ao meio ambiente, uma vez que ocorrem em circuito fechado e estão dentro dos limites aceitáveis internacionalmente. ‘‘Não há vazamento para o meio ambiente’’, garantiu. Segundo ele, a usina ficará fechada até que se detecte a causa dos vazamentos internos.
Os primeiros sinais de que havia vazamento interno foram detectados em setembro do ano passado, na água usada para refrigerar o reator. A checagem dos níveis de radioatividade no refrigerante do reator é feita periodicamente. ‘‘O resultado de setembro indica que houve falha’’, admite Caubit. De acordo com nota enviada pela Cnen, durante todo esse tempo a comissão manteve fiscalização permanente das condições de segurança do reator. Segundo Caubit, como não havia riscos, os técnicos decidiram esperar para consertar os vazamentos na época da paralisação anual da usina para troca de combustível.
A paralisação para troca de combustível ocorreu há 50 dias. ‘‘Detectamos então que havia arranhões em 11 varetas de combustível e que essa era a causa da radioatividade na água do refrigerador’’, explicou Caubit. ‘‘Agora, estamos aguardando a finalização de um estudo que detecte a causa dos arranhões para voltarmos a operar normalmente’’. Na quinta-feira, o professor de física nuclear Luiz Pinguelli Rosa, chegou a afirmar que havia risco de formação de nuvem radiativa, o que poria em risco a população de Angra dos Reis.
‘‘Nuvem radioativa só ocorre em caso de acidente’’, afirmou, categórico, Caubit. ‘‘E não houve, em nenhum momento, violação da segurança do reator, nem vazamento para o meio ambiente’’. Segundo o diretor de Radioproteção e Segurança, caso houvesse qualquer risco, a própria Cnen, que mantém plantão permanente na usina, teria ordenado a paralisação de Angra 1. Caubit informou que a usina é projetada para comportar esse tipo de problema. ‘‘Agora, é lógico que as causas dos arranhões têm que ser pesquisadas antes do início do próximo ciclo’’.
Satélite Os técnicos do Ministério da Aeronáutica trocaram a peça defeituosa do radar, responsável pelo cancelamento do lançamento do Veículo Lançador de Satélites (VLS), no sábado passado. Com tudo pronto, o lançamento deve ser amanhã, pela manhã, da Base de Lançamento de Alcântara (MA). Os testes finais já estão sendo feitos. A janela de lançamento termina em 10 de novembro. A confirmação oficial da missão será hoje. Caso não aconteça o lançamento neste período, o VLS precisará ser retirado da torre de lançamento.

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