Curitiba- No final do mês, devem ser realizadas reuniões públicas em Ortigueira e Telêmaco Borba (128 km ao norte de Ponta Grossa) para apresentação do estudo de impacto ambiental sobre a possível instalação de uma usina hidrelétrica no Rio Tibagi, num trecho localizado entre as duas cidades. O estudo foi feito pela CNEC Engenharia & Cia, empresa de consultoria pertencente ao grupo Camargo Côrrea, em parceria com a paranaense Igplan.
A CNEC obteve registro ativo na Agência Nacional de Energia Elétrica (Anel) para realizar estudos naquela região da bacia. O Ministério de Minas e Energia indicou a Usina Mauá, como a hidrelétrica foi batizada, como uma das 17 usinas que deverão estar no próximo leilão de energia nova, a ser realizado no segundo semestre. Neste leilão, será decidido quem fará a usina - caso a construção seja liberada.
A obra só poderá ser levada adiante caso o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) dê licença prévia. O estudo de impacto ambiental foi concluído e enviado em dezembro ao IAP. Ontem, o documento foi apresentado a técnicos do instituto, numa reunião em Curitiba. Outras entidades, como universidades e câmaras municipais, receberam o estudo.
O documento também precisa ser discutido em audiências públicas antes do IAP decidir se oferecerá a licença prévia ou não. ''Pelo nosso enfoque, é viável construir uma hidrelétrica naquele ponto do Tibagi'', comentou ontem Kalil Farran, gerente de estudos ambientais da CNEC.
O assunto gera polêmica. Tom Grando, coordenador institucional da ONG Liga Ambiental, afirmou que o estudo da CNEC omite informações. E que a idéia contraria leis estaduais. ''Uma portaria do IAP determina que uma usina não pode ser licenciada sem que haja estudo da bacia como um todo. A Constituição do Estado prevê a priorização de pequenas centrais hidrelétricas, e esta usina é um grande empreendimento. E o Conselho Estadual de Recursos Hídricos e os comitês locais de bacias hidrográficas ainda não foram consultados'', argumentou Grando.
Para o coordenador, é ''incoerente'' que uma hidrelétrica seja pensada antes da conclusão do zoneamento ecológico-econômico do Paraná, iniciado no ano passado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema). ''Numa expedição feita pela Liga Ambiental, apuramos que um trecho da região do Rio Tibagi, entre Ponta Grossa e São Jerônimo da Serra (78 km ao sul de Cornélio Procópio), tem biodiversidade comparável à da Mata Atlântica. E este trecho inclui a área entre Ortigueira e Telêmaco Borba'', disse Grando.
''O Brasil não precisa de hidrelétricas. Se fossem repotencializadas as que já existem, não haveria necessidade de construir outras'', alegou. Farran não comentou as críticas de Grando. ''Ele fez parte da equipe técnica vinculada à Igplan e colaborou no estudo de impacto ambiental'', afirmou o gerente.

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