CNBB reforça posição contra uso de preservativo
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quinta-feira, 15 de junho de 2000
Agência Estado De Indaiatuba, SP 
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou ontem nota oficial reafirmando a posição da Igreja Católica contra o uso de preservativo masculino. O texto é uma resposta à polêmica gerada durante o I Encontro Sobre DST-Aids, promovido pela Pastoral da Saúde em Indaiatuba, no interior do Estado de São Paulo. Durante o evento, encerrado ontem, o uso da camisinha foi defendido abertamente por padres e ONGs católicas que trabalham com portadores de HIV.
Diante do uso de preservativos para evitar a transmissão da aids, a presidência da CNBB afirma que a Igreja não mudou de posição, diz a nota, assinada pelo secretário-geral da entidade, D. Raymundo Damasceno Assis. A propaganda do uso do preservativo como uma espécie de vacina contra o HIV é falaciosa, pois no Brasil sua garantia é de 60% a 65%, acrescenta.
A CNBB condena o uso de camisinha até mesmo entre prostitutas e homossexuais, como forma de evitar a transmissão da doença. O uso nesses casos chegou a ser defendido, na abertura do evento, pelo bispo de Goiás, D. Eugene Rixen, coordenador da Comissão Nacional DST-Aids, ligada à Pastoral da Saúde. Do ponto de vista da moral católica, não é aceitável a propagação do uso de preservativo quando favorece uma vida sexual desordenada, reduzindo a sexualidade a mero bem de consumo, diz o texto.
A nota foi interpretada pelos participantes do encontro como uma consequência da repercussão que as declarações a favor da camisinha causaram no Vaticano. Nos últimos dois dias, a Santa Sé enviou dois fax a Indaiatuba - o teor não foi divulgado - e na quarta-feira o próprio núncio apostólico, Alfio Rapisarda, que representa o Vaticano no Brasil, telefonou para D. Eugene. Depois disso, o bispo de Goiás mudou o tom de seu discurso.
Ontem, D. Eugene, que na segunda-feira classificou o uso da camisinha como um mal menor, limitou-se a ler para os jornalistas, de forma lacônica, a nota da CNBB.


