CNBB quer adiar aplicação da nova lei
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quinta-feira, 15 de janeiro de 1998
Agência Estado Brasília 
Dida Sampaio/AE
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Intenção riquíssimaD. Lucas defende mudança da nova lei e pretende conversar com o presidente Fernando Henrique a respeitoO presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Lucas Moreira Neves, afirmou ontem que o governo não pode obrigar a população a ser doadora de órgãos. Segundo ele, o Ministério da Saúde deveria ampliar o prazo para aplicação da lei dos transplantes de órgãos para modificar seu texto. Discordo que as pessoas que não trocaram os documentos devam ser consideradas doadoras presumidas, afirmou o presidente da CNBB. Ninguém deve ser doador obrigado, acrescentou, informando que pretende conversar sobre o assunto com o presidente Fernando Henrique Cardoso.
D. Lucas afirmou ser a favor da lei. Ela tem uma intenção riquíssima, que os dogmas religiosos não podem atrapalhar, disse dom Lucas. Mas é preciso que a família dos doadores presumidos seja ouvida antes da retirada dos órgãos. O presidente da CNBB informou que não trocou sua carteira de identidade, mas fez um documento onde manifesta sua opção.
Apesar de não incentivar a desobediência à lei, o presidente da CNBB não recriminará os médicos que se recusarem a retirar órgãos. Se um médico disser que não vai aplicar a lei, também não direi que isso é pecado, assegurou. Mas o arcebispo de Salvador ressalvou que a doação de órgãos não tem impedimentos religiosos, recebendo o apoio da Igreja no Brasil. A integridade do corpo, após a morte, é espiritual e não material.
O secretário de Assistência à Saúde do Ministério da Saúde, Antônio Werneck, disse que não é necessário ampliar o prazo para aplicação da lei. Isso porque, segundo ele, o que passou a vigorar foi o conceito de doação presumida. Mas a pessoa não está obrigada a tomar uma decisão definitiva, lembrou. Ela pode mudar sua opção a qualquer momento. Para Werneck, à medida em que o brasileiro for se informando sobre as novas regras, deverá cair a resistência. Mas nós também não queremos que 100% venham a aderir à lei e temos que respeitar aqueles que não estão dispostos a doar, acrescentou.
Reforma agrária O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Lucas Moreira Neves, afirmou ontem, ao comentar o documento Para uma Melhor Distribuição da Terra - O Desafio da Reforma Agrária, divulgado anteontem pelo Vaticano, que o governo está apenas se preocupando em fazer desapropriações, mas não está investindo em política agrícola nas áreas do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Tenho falado a todos que o governo está fazendo alguma coisa, mas não está investindo em créditos e incentivos à agricultura, disse d. Lucas.
O arcebispo de Salvador assegurou que o documento do Vaticano não foi endereçado ao Brasil, conforme afirmou o coordenador da Pastoral Social da CNBB, dom Demétrio Valentini, bispo de Jales. Foi um documento feito para todos os países, não especificamente para o Brasil, disse d. Lucas. Ele ressaltou que o documento critica as invasões de terras, mas as torna legítimas, a partir do momento que há terra improdutiva e não esteja sendo feita a reforma agrária.


