CNBB pede maior investigação sobre narcotráfico
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sexta-feira, 26 de novembro de 1999
Por Chico Araújo (especial para a AE) 
Brasília, 26 (AE) - A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) defendeu hoje o aprofundamento das investigações sobre o narcotráfico e o crime organizado no País. Em nota oficial, que foi tirada pelo Conselho Permanente da CNBB entre os dias 23 e 26 deste mês, a Igreja destacou o trabalho da CPI do Narcotráfico e sugeriu à comissão um acompanhamento sistemático na identificação dos responsáveis pela lavagem de dinheiro de organizações criminosas por meio das contas CC-5, usadas para envio de dinheiro ao exterior. A CNBB denuncia que as CC-5 vem sendo utilizadas para legalizar operações ilícitas, protegidas inclusive por sigilos bancários e fiscais.
O presidente da CNBB, d. Jayme Chemello, quer que a CPI do Narcotráfico fiscalize, com mais rigor, as operações feitas por meio das contas CC-5. Segundo estudos da Comissão de Justiça e Paz, as contas constituem espécie de "caixa preta" para legalizar dinheiro de origem duvidosa.
No Paraná, a Polícia Federal descobriu que, nos últimos dois anos, foram lavados R$ 7,5 bilhões por essas contas, envolvendo mais casas de câmbio e empresas de fachadas de Foz do Iguaçu, Cascavel e Londrina, Rio de Janeiro e São Paulo. Lá, a PF pediu a prisão de 20 pessoas e já indiciou outros 200 por envolvimento com lavagem de dinheiro em casas de câmbio.
"Por meio de tais contas (as CC-5) têm sido possvel sair livremente, de nosso país, dinheiro obtido criminosamente, rumo aos " paraísos fiscais", de onde volta ao Brasil como "capital estrangeiro" devidamente legalizado", destaca a CNBB
em nota oficial. A CNBB considera ainda esse fato "afronta à dignidade do povo brasileiro". Segundo d. Jayme, o narcotráfico e o crime organizado estão levando o País para um caminho perigoso. "Povo e governo precisam se dar conta desse fato."
Além de aprofundar as investigações, d. Jayme Chemello disse esperar que a CPI do Narcotráfico não se limite a identificar intermediários do tráfico e do crime organizado, mas chegue aos chefões das quadrilhas.
"A impunidade não pode prevalecer", alerta o bispo, quando ressalva que deve ser dado a todos os acusados o amplo direito de defesa. O presidente da CNBB defende mais rigor das autoridades financeiras no combate ao crime, além de acreditar numa "depuração" das instituições.
Campanha - No próximo ano, a Igreja vai aprofundar o debate em relação à questão das drogas na Campanha da Fraternidade, que terá como tema a dignidade humana e paz. Segundo d. Jayme Chemello, a campanha abordará, além das drogas, temas relacionados com a prostituição infantil e o crime organizado. Já no ano 2001 a CNBB realizará uma campanha voltada especificamente para discutir as drogas no País.
"As campanhas vão envolver todos os segmentos da Igreja", disse d.Jayme, que espera o engajamento dos católicos no combate ao crime organizado e ao narcotráfico. Segundo ele, a Igreja está consciente de que esse problema deve ser encarado e com frimeza.


