Curitiba- A Igreja Católica quer ampliar sua participação em ações que revertam o cenário atual de degradação dos recursos naturais e de miséria da população da Amazônia. Esse é o foco da Campanha da Fraternidade, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que, em sua 43 edição, traz o tema ''Fraternidade e Amazônia - Vida e missão neste chão''. Ao mesmo tempo em que defende o envolvimento de todos os brasileiros com as questões ambiental e social, a Igreja reaviva o que entende ser um dos maiores problemas da região: o domínio de terras e a exploração das riquezas por alguns poucos grupos econômicos.
O bispo auxiliar da Arquidiocese de Curitiba, Dom Ladislau Biernaski, lembrou que o lema deste ano é resultado de uma preocupação que já vem norteando as diretrizes pastorais da CNBB nos últimos anos. Em 2005, foi lançado o Mutirão contra a Miséria e a Fome na Amazônia e, a partir dessa mobilização, alguns projetos sociais começaram a ser realizados. ''Um pouco (da campanha deste ano) é fruto da Comissão Pastoral da Terra, que sempre defendeu a questão do acesso à terra e da exploração sustentável'', acrescentou.
D. Ladislau destacou que, pelo menos, 70 milhões de hectares da Amazônia são grilados, dos quais 7 milhões de hectares explorados por uma única empresa. Esse domínio econômico, segundo ele, gerou a expulsão de mais de 30 mil famílias de posseiros. ''A meu ver, o Judiciário tem sido rápido para determinar os despejos, mas lento para punir a grilagem de terra'', criticou.
Durante o período da Quaresma, o lema da Campanha da Fraternidade será amplamente divulgado e debatido junto às comunidades católicas de todo o País. A abertura oficial da campanha, em Curitiba, acontecerá no próximo domingo, às 15 horas, no Bosque São Cristóvão, no bairro Santa Felicidade. Em coletiva na tarde de ontem, o arcebispo metropolitano, Dom Moacyr José Vitti, adiantou de que forma a Igreja pretende dar sua contribuição aos povos amazônicos.
Segundo D. Moacyr, a Arquidiocese de Curitiba já enviou dois sacerdotes a São Félix do Araguaia, norte do Mato Grosso, onde estão prestando serviços dentro do espírito da campanha. Uma das propostas, explicou D. Moacyr, é, justamente, a de conhecer melhor a realidade da Amazônia e despertar missionários (sacerdotes, religiosos e leigos) para atuarem em defesa da natureza e das pessoas que lá vivem.
Além do trabalho de conscientização e engajamento da sociedade, a Campanha da Fraternidade faz a chamada ''Coleta da Solidariedade'' durante as celebrações religiosas. Os recursos arrecadados serão destinados aos projetos socioambientais na Amazônia. O dinheiro da campanha de 2004, em que o lema era ''Água, Fonte de Vida'', lembrou o vigário geral de Curitiba, Genivaldo Ximendes, financiou a construção de cisternas na Bahia e Paraíba.
A Amazônia tem cerca de 23 milhões de habitantes, dos quais perto de 18 milhões são católicos. Até agora, as dioceses e prelazias vêm sendo assistidas por uma maioria de missionários estrangeiros.

mockup