CNBB lançará cartilha orientando católico a combater tráfico
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sexta-feira, 26 de novembro de 1999
Por Chico Araújo (especial para a AE) 
Brasília, 26 (AE) - A corrupção eleitoral e o financiamento de campanhas pelo narcotráfico e o crime organizado passam a ser combatidos mais ostensivamente pela Igreja Católica. Essa disposição foi anunciada hoje pelo secretário-executivo da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, Francisco Whitaker, ao revelar que a comissão, órgão ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, lançará no início do próximo ano uma cartilha orientando os católicos a engajarem-se no combate à corrupção nas disputas eleitorais que se aproximam.
Segundo Whitaker, a comissão irá atuar no sentido de orientar a população a não votar em pessoas envolvidas em atos ilícitos como tráfico de drogas, grupos de extermínio e corrupção administrativa, ou que trocam cestas básicas ou dão dinheiro em troca de votos. "Vamos ajudar, com essa cartilha, a limpar a política brasileira", aposta o secretário da Comissão de Justiça e Paz da CNBB. Whitaker avalia, por exemplo, que a sociedade brasileira não pode continuar convivendo com a corrupção no meio político.
A Comissão de Justiça e Paz foi autoria da iniciativa do projeto de lei - já aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso - que combate a corrupção eleitoral no País. A iniciativa popular recebeu um milhão de assinaturas e envolveu, além da Comissão de Justiça e Paz, um pool de entidades que atuam no combate ostensivo da corrupção. O presidente da CNBB, d. Jayme Chemello, considera a lei como "grande avanço" no combate à corrupção. Segundo ele, os fiéis católicos de todo o País serão orientados a agir no combate a essa prática nociva à democracia.
Segundo o secretário da entidade católica, Francisco Whitaker, o projeto anti-corrupção é a continuidade da Campanha da Fraternidade de 1996, que teve a política como tema central. A CNBB constatou naquele ano que a "compra de votos" dos eleitores constituia-se numa das maiores distorções da democracia. Whitaker lembra que a prática é "extremamente perversa" porque explora a pobreza e a miséria, além de desvirtuar os resultados eleitorais.
Ao mesmo tempo em que combate a corrupção eleitoral, a Igreja Católica busca estreitar o diálogo com o governo federal. Na semana passada, os 26 bispos que integram o Conselho Permanente da CNBB, um dos órgãos máximos da hieraquia da Igreja no Brasil, reuniram-se com o presidente Fernando Henrique Cardoso para discutir questões com crime organizado, narcotráfico, reforma agrária, desemprego, saúde, educação, entre outras questões sociais. D. Jayme disse que o encontro com o presidente foi proposto pela Nunciatura Apostólica, órgão que representa o Vaticano, e vai ampliar o diálogo entre a Igreja e o governo. Segundo d. Jayme, a Igreja está buscando um diálogo aberto com o governo.


