CNBB: falta vontade política
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quinta-feira, 30 de abril de 1998
Clayton Levy Agência Estado 
O bispo de Duque de Caxias (RJ), Dom Mauro Morelli, disse ontem que falta decisão política do governo para enfrentar a seca no Nordeste. Para o religioso, que participa da 36ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Indaiatuba (SP), os projetos iniciados não tiveram continuidade.
D. Mauro afirmou que o País já desenvolveu tecnologia suficiente para resolver o problema da seca, mas falta decisão por parte do governo. Segundo ele, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) dispõe de métodos científicos para encontrar as soluções. Mas não basta apenas anunciar os projetos, é preciso dar continuidade às ações.
A CNBB divulgou ontem o documento Trabalho, Vida e Esperança, em comemoração ao Dia do Trabalho. A um salário cronicamente injusto soma-se agora o desemprego em proporções assustadoras, diz o texto. Segundo o bispo, a igreja católica propõe uma agenda social para canalizar melhor os recursos do País. É preciso investir mais em alimentação, educação, saúde e moradia, disse. De acordo com ele, a igreja está disposta a colaborar com o governo de forma crítica. Queremos pensar junto com o governo e não apenas receber pacotes, disse.
O religioso também cobrou maior rapidez no programa de reforma agrária. Se incentivarmos a agricultura familiar, resolveremos o problema da fome. A CNBB deverá divulgar hoje um documento com a posição oficial da igreja católica sobre a Reforma Agrária.
O documento divulgado ontem pela CNBB acusa a Fundação Nacional do Índio (Funai) de desencadear uma ofensiva intimidatória contra os missionários católicos que atuam entre os povos indígenas. O texto é assinado pelo bispo dom Apparecido José Dias, presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). O Cimi denuncia também o aumento da violência contra os índios. Para o bispo, a perseguição da Funai ficou evidente em março, na tentativa de expulsão do Brasil do missionário leigo Winfridus Overbeek, que trabalha no Espírito Santo com as tribos tupiniquim e guarani.


