Os religiosos reunidos na 37ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Itaici, no município de Indaiatuba, começam a definir hoje, com a escolha do novo presidente da entidade, o rumo que a Igreja Católica tomará no início do terceiro milênio. O atual presidente Dom Jayme Chemello, de Pelotas (RS), e o arcebispo de São Paulo Dom Cláudio Hummes, disputam o cargo.
A eleição promete ser bastante equilibrada. Os dois nomes indicados para dirigir a CNBB nos próximos quatro anos já foram considerados, em períodos diferentes, da linha progressista da igreja, que apóia o Movimento do Sem-Terra (MST), as comunidades eclesiásticas de base e que defende maior distribuição do poder interno. Tem direito a votos 293 religiosos, sendo nove deles padres, administradores apostólicos, que votam mas não podem ser votados.
Os bispos não admitem a existência das chapas, mas a indicação dos nomes, que poderão mudar a linha pastoral da igreja, justamente quando os católicos estão comemorando os 500 anos de evangelização no País. ‘‘Os bispos de cada região votam conforme sua convicção’’, afirmou Dom Eusébio Oscar Scheid, da arquidiocese de Florianópolis (SC), que ontem foi designado para falar com a imprensa.
‘‘É normal que os bispos do nordeste escolham aquele que esteja mais voltado para os problemas sociais’’ acrescentou. Dom Eusébio não acredita que surgirá um terceiro nome, como chegou ser cogitado, o de Dom Luciano Mendes de Almeida, bispo de Mariana (MG). ‘‘Seria sobrecarregá-lo demais já que ele foi por oito anos presidente e oito anos secretário-geral’’, disse. Pela hierarquia, os cargos mais disputados são os de presidente, vice-presidente e secretário geral, que são necessários dois terços dos votos para conhecer o indicado. Haverá nova eleição se nenhum dos nomes atingir essa preferência. Na última eleição, Dom Lucas Moreira Neves foi o escolhido somente na terceira votação, quando a indicação já passa ser pela maioria simples.
Na época, Dom Jayme era indicado também para o cargo de presidente, mas acabou sendo o vice. O bispo de Pelotas, posteriormente, assumiu a presidência, com o afastamento de Dom Lucas, que foi nomeado assessor direto do papa João Paulo II, no Vaticano. Os outros 18 cargos da CNBB serão preenchidos com a concordância da maioria simples dos votantes.
A 37ª Assembléia Geral da CNBB entra na última semana. Os bispos vão aprovar nos próximos dias, um documento com a posição da igreja sobre alguns temas considerados polêmicos - dívida externa, globalização, desemprego e atual conjuntura social econômica que atravessa o País -, cujo teor deve ser divulgado até sexta-feira.

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