Brasília, 07 (AE) - Cinco voluntários religiosos e leigos foram selecionados hoje (07) pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e embarcarão em 60 dias para o Timor Leste, onde permanecerão por, no mínimo, um ano. Eles vão reforçar a missão da Igreja Católica que, no ano passado, perdeu cinco religiosos durante um confronto com milícias indonésias. "Eles não vão salvar o Timor, mas ser um testemunho de esperança para aquele povo", comentou o padre Ernanne Pinheiro, coordenador da missão.
A missão dos brasileiros é dar apoio à Igreja timorense, às entidades internacionais que já estão no local ajudando a população e intermediar a relação entre o governo brasileiro e o Timor. Além disso, os integrantes da missão atuarão como professores, formadores de líderes das pastorais, agentes de saúde e, no caso das freiras, a tarefa será também a de evangelização da comunidade.
Os cinco voluntários foram escolhidos entre os 12 candidatos, inscritos em outubro passado - mas, o número de interessados já chega a 30. Os inscritos em outubro que não estão entre os cinco selecionados agora também seguirão para o Timor, mas ao longo deste ano. Todos os 12 já estão recebendo treinamento da CNBB para a missão. As passagens serão pagas pela instituição, mas os gastos com alimentação e alojamento ficarão por conta das dioceses timorenses. Logo que chegar ao Timor, o grupo se hospedará em um centro de treinamento em Baucau, a 150 quilômetros de Díli.
A psicóloga Maria Beatriz Mohr deixou o seu emprego em um hospital de Porto Alegre e os projetos sociais dos quais participava para aderir ao grupo. "Nós vamos em nome da Igreja e não das congregações", afirma. Outra psicóloga e também advogada, Ana Maria Pinheiro, morava em Manaus onde integrava a pastoral carcerária. "Meu projeto de vida já era missionário", disse, explicando que o seu interesse por Timor aumentou depois de ver reportagens sobre os conflitos na região. "A missão da Igreja é sem fronteiras", comentou.
O padre Ernanne Pinheiro informa que os timorenses maiores de 40 anos falam português, transformada na língua oficial, apesar de a maioria da população conversar em tetum, e haver também os que usam inglês e o bahasa indonésio. Mas, segundo ele, 46% da população conseguem entender o português, o que facilita o trabalho da missão. Na opinião dos voluntários brasileiros, a afinidade dos timorenses com o Brasil também ajudará. "Eles gostam da música, do futebol e das novelas brasileiras", explica Beatriz.

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