CNBB diz que Lerner é conivente com tortura
Agência Estado
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) fez ontem um veemente apelo ao povo brasileiro para que realize significativos gestos de solidariedade para com os irmãos sem-terra no dia do trabalhador rural, comemorado em 25 de julho.
Ao mesmo tempo em que divulgou a nota, o presidente da Conferência, dom Jayme Chemello, criticou a omissão do governo federal e a conivência do governo do Paraná com relação às torturas e outros tipos de violência contra os sem-terra no Estado.
Dom Jayme Chemello disse que o governo federal é omisso porque não manda investigar a violência que está acontecendo contra os sem-terra. O governo do Paraná é conivente, afirmou, ao não admitir que está havendo desrespeito aos direitos humanos no Estado.
Dom Chamello ainda comentou que o governador Jaime Lerner não pode dizer que nada está acontecendo, quando há depoimentos e provas documentais de que os sem-terra estão sendo torturados. O religioso se disse preocupado com os métodos utilizados pela Polícia Militar do Paraná em ações de reintegração de posse no Estado.
Invadir acampamentos à noite não é correto. Dom Chemello discordou ainda do uso de capuzes pelos policiais federais e pela ausência de oficiais de Justiça nas desocupações. As ações de reintegração de posse têm de ser mais humanas, apregoou. Para o presidente da CNBB, seria importante que o governo federal desse andamento mais rápido à reforma agrária.
A nota da CNBB, intitulada O Clamor que Vem do Campo foi redigida por todos os bispos da Presidência da entidade e da Comissão Episcopal de Pastoral.
O documento, divulgado ontem durante entrevista coletiva, será enviado em forma de carta ao presidente Fernando Henrique Cardoso, ao governador do Paraná, Jaime Lerner, aos ministros da Justiça, Renan Calheiros, e de Política Fundiária, Raul Jungmann, e ao secretário de Direitos Humanos, José Gregori.





