A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) denunciou ontem uma ‘‘onda de violência contra os povos indígenas e a igreja em Roraima e considerou ‘‘frustrante o resultado de audiência com o ministro-chefe da Casa Civil da Presidência, Clóvis Carvalho, sobre o assunto.
Segundo a igreja, um missionário e um índio da área Raposa/Serra do Sol sofreram atentados e uma freira está ameaçada de morte. O vice-presidente da CNBB, d. Marcelo Carvalheira, e o presidente do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), d. Apparecido José Dias, disseram que Clóvis Carvalho não deu garantia de que o presidente Fernando Henrique Cardoso vá homologar essa reserva, demarcada com base em portaria do ministro Renan Calheiros (Justiça).
Segundo a igreja, FHC está sendo pressionado pelo governador Neudo Campos (PPB), seu aliado, que estaria defendendo os interesses de fazendeiros instalados na área demarcada.
A Presidência da República não havia comentado essa informação até o início da noite de ontem. O governo de Roraima classificou de ‘‘balela a denúncia sobre violência e disse ser favorável à demarcação, mas não de uma área contínua’’, como determina a portaria.
Neudo Campos defende a exclusão de dois municípios (Uiramutã e Pacaraima) e de fazendas produtivas, que se tornariam ‘‘ilhas dentro da reserva - como determinava portaria anterior, do ex-ministro Nelson Jobim.

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