Belém, 09 (AE) - Uma denúncia internacional contra o comportamento da Polícia Militar do Pará, durante o Grito dos Excluídos, na terça-feira (07), em Belém, será protocolada na próxima semana na Organização dos Estados Americanos (OEA), Anistia Internacional e entidades de direitos humanos de vários países pela Comissão de Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na Região Norte.
Um dossiê com fotos, vídeo e recortes de jornais mostrando que a manifestação era pacífica e não havia razão para a violência da PM vai reforçar a denúncia, que terá as assinaturas de integrantes de 40 movimentos sociais, partidos políticos, sindicatos e Igreja Católica.
Durante a manifestação de terça-feira, 15 pessoas saíram feridas, entre estas quatro crianças e duas freiras, uma delas com fratura na costela provocada por golpe de cassetete desferido por um policial militar.
Segundo o coordenador da Comissão de Justiça e Paz da CNBB no Pará, Adriano Sella, o que mais preocupa a população do Estado é a forma como a PM vem agindo desde a absolvição dos comandantes da operação militar que resultou na morte de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás (PA). "Levaram armas pesadas, bombas e até cachorros para reprimir o povo pobre e pacífico que lá estava reivindicando seu direito democrático a uma vida decente."
A freira Maria Lúcia Gomes, da Congregação das Missionárias do Coração Eucarístico, que participava do Grito, teve a clavícula fraturada, ao desviar a cabeça do golpe desferido por um dos policiais militares.
"Eu esquivei-me do pior, mas logo senti uma dor violenta, fui atingida no ombro", contou ela. Outra freira da mesma congregação, Maria Salvadora, saiu ferida por estilhaços das bombas lançadas contra a multidão. "Não vou me intimidar; no Grito do próximo ano, estarei participando novamente, se Deus quiser", reagiu Maria Salvadora.
O coronel Lenildo Holanda, chefe do policiamento metropolitano, garante que a PM "agiu corretamente" durante a manifestação. "Os culpados pelas pessoas que saíram lesionadas foram aqueles que estavam liderando a manifestação e incitavam as pessoas contra a Polícia Militar". Holanda disse que a PM agiu "dentro do dever legal", mas prometeu apurar os "excessos".

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