Brasília, 23 (AE) - O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Jayme Chemello, defendeu hoje a realização da reforma tributária sob a ótica da "justiça social". Ele reivindicou a diminuição dos impostos cobrados sobre ítens básicos da alimentação, como o macarrão, por exemplo.
"Um pacotinho de macarrão é tributado em 34,7%", disse ele, que, na terça-feira (21), apresentou a posição da entidade ao presidente da Comissão da Reforma Tributária da Câmara, Germano Rigotto (PMDB-RS).
Para ser justa, segundo Chemello, a reforma deve fixar impostos mais elevados para produtos que beneficiam apenas as camadas mais privilegiadas da população. "Quem compra caviar paga mais", resumiu.
O presidente da CNBB mostrou-se preocupado também com os artifícios que permitem a grandes empresas e bancos deixar de pagar impostos. "Por causa de uma vírgula ou de um ponto na lei
há quem consiga não pagar nada", declarou. "É fundamental que os impostos recaiam sobre todos e não apenas sobre um grupo da população." Chemello não quis entrar em detalhes técnicos a respeito da reforma tributária. "O que importa é a filosofia da reforma", afirmou. "Nosso País vive uma situação desastrosa em relação à pobreza."
O presidente da CNBB comemorou hoje a aprovação no Senado do projeto de iniciativa popular contra a corrupção eleitoral, que prevê a perda do registro eleitoral de candidatos envolvidos na compra de votos. Segundo ele, esse é o primeiro projeto de iniciativa popular a ser aprovado no Congresso.
Para virar lei, o projeto precisa ser sancionado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Se isso ocorrer até o dia 30, a lei valerá nas eleições municipais de 2000.

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