A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou ontem a nota ‘‘Alerta à Consciência da Nação’’ defendendo que a criança trabalhe para ajudar no seu próprio crescimento. Mas esclarece que a Igreja é contra a exploração do trabalho infantil. A proibição de que menores trabalhem foi um dos temas mais polêmicos da Conferência Internacional Sobre o Trabalho das Crianças, encerrada ontem em Oslo, na Noruega.
‘‘A criança é uma das peças do trabalho produtivo na roça ou na indústria’’, afirma o bispo de Brasilândia (SP) e responsável pelo setor de Vocações e Ministérios da CNBB, dom Angélico Sândalo Bernardino. ‘‘O trabalho é um meio para sua formação’’, acrescenta. Entretanto a inclusão da criança no trabalho não pode deixá-la fora da escola, o que pode torná-la um marginal, alerta o bispo.
Na nota a CNBB diz que a tarefa de combate à exploração infantil não é fácil, ‘‘sobretudo onde o sistema produtivo é familiar ou onde a criança vai sendo introduzida no mundo do trabalho naturalmente, como uma dimensão integrada ao seu próprio crescimento’’. Além disso, argumenta que num modelo de desenvolvimento gerador de milhões de ‘‘inempregáveis’’, o ideal é que as crianças brinquem, estudem, mas também sejam formadas para a vida e para o trabalho.
Para a Igreja Católica, o governo está desempenhando um bom papel na luta para acabar com a exploração infantil. ‘‘É pouco, mas pelo menos está se fazendo alguma coisa’’, observa o vice-presidente da CNBB, dom Jaime Chemello. ‘‘O governo está desenvolvendo políticas sociais’’, reconhece, alertando que é necessário maior envolvimento da União nas questões sociais.
Presidiários Ontem a CNBB enviou ao ministro da Justiça, Íris Rezende, um pedido para que os presidiários portadores do vírus da aids em estado grave sejam incluídos no indulto de Natal, que o governo concede todos os anos. Além da liberdade, a Igreja quer que o ministério garanta tratamento para os pouco mais de dois mil presos que estão nessa situação. O pedido também estendeu-se aos presos tetraplégicos, desde que não tenham condições de locomoção nas penitenciárias.

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