CNBB defende integração da polícia com comunidade
CNBB defende integração da polícia com comunidade Edinelson Alves Especial para a Folha De Brasília O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Raymundo Damasceno Assis, defendeu ontem, durante audiência pública na comissão especial destinada a examinar as questões ligadas à violência, que a força policial deve ter maior integração com a comunidade, permitindo assim maior confiança da população no trabalho dos órgãos de segurança. Ele citou a abordagem ampla feita pelo papa João Paulo II na encíclica Evangelium Vitae quanto a medidas temerárias que podem colocar em risco a vida do próximo (desrespeito às leis de trânsito, por exemplo) e o futuro das crianças jovens (injustiças sociais). Para dom Damasceno, a apropriação indébita dos recursos públicos, o tráfico de influências e a manipulação eletrônica de dados também são formas de violência. Estas últimas formas de violência, quando praticadas por lideranças locais, regionais e nacionais, têm um efeito devastador sobre o conjunto da população, sobretudo se elas ficam impunes, pois passam a constituir um incentivo para outros seguirem seus caminhos, observou. Sobre a segurança pública no Brasil, ele ressaltou que ela possui três faces: repressiva, educativa e integração com a comunidade. Na avaliação do secretário-geral da CNBB, a face repressiva depende do conjunto de leis existentes, que devem sempre buscar o respeito aos direitos de cada pessoa e da sociedade. O lado educativo da segurança pública, fundado na aplicação justa de penas, deve permitir ao cidadão a correção de seu comportamento e sua reintegração à sociedade. No caso da integração com a comunidade, dom Damasceno acredita que todos os profissionais, em todos os escalões, têm de primar por um comportamento social exemplar, capaz de inspirar confiança na comunidade a que servem, e de impor respeito pela dignidade de seu exemplo. A comissão especial deverá ainda ouvir o ministro da Justiça, José Carlos Dias, o secretário Nacional de Direitos Humanos, José Gregori, representantes de ONGs ligadas à violência e outras autoridades. As atividades da comissão estão subdivididas por sete subcomissões, tratando de temas como o sistema prisional, o sistema judiciário, a comunicação e a educação e a estrutura das polícias.





