Indaiatuba, SP, (AE) - Os participantes da 37ª assembléia anual da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que acontece em Indaiatuba, interior de São Paulo, declararam apoio às manifestações de sem-terra contra a nova política agrária do governo e a não punição dos responsáveis pela morte de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás (PA), realizadas hoje. Os religiosos aproveitaram para fazer novas críticas à política de reforma agrária do governo Fernando Henrique Cardoso. "O governo está fazendo apenas assentamentos e não reforma agrária", disse o bispo de Rondonópolis (MT), dom Juventino Kestering.
Segundo ele, a atual política agrária "é inútil", porque não dá condições para que as famílias assentadas desenvolvam a agricultura. "No meu Estado, há famílias que foram levadas para regiões onde não passam nem caminhões", disse. "Além de não receberem ajuda para plantar, ainda sofrem prejuízo porque não há estradas para transportar seus produtos"
completou.
O bispo de Ponta Grossa (PR), dom João Braz de Aviz, responsabilizou a atual política agrária pelo inchaço dos grandes centros urbanos. "As famílias não conseguem mais sobreviver no setor rural", disse. Para dom João Braz, o governo Fernando Henrique Cardoso está repetindo o que os colonizadores do País fizeram com os índios. "O governo está confinando as famílias em regiões distantes, sem dar-lhes condiçoes de trabalho e sem respeitar sua cultura", afirmou.
Para os religiosos, as manifestações são uma forma legítima de mostrar o descontentamento dos trabalhadores com a política agrária. "O MST é uma bandeira fundamental que não pode ser abaixada", disse dom João Braz. Segundo ele, a Igreja Católica apoia o movimento "por estar convicta de que a terra não se destina a servir o lucro". Críticas - Em relatório divulgado ontem (15), intitulado Análise de Conjuntura, a CNBB diz que "não parece evidente que a prática governamental queira, de fato, realizar a reforma agrária, conforme o pensamento da doutrina social da igreja, expressa no documento do Pontifício Conselho Justiça e Paz". Segundo o texto, "o governo deseja ardentemente transformar a reforma agrária em mais um dos instrumentos da economia de mercado".

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