Indaiatuba, SP - Temas como a evasão de fiéis da igreja católica, a evangelização de jovens e os cenários ambiental e político-econômico do País serão discutidos entre pelo menos 334 bispos a partir de hoje, em Itaici (Indaiatuba), a 125 km de São Paulo, na 45 Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
''Essa é uma preocupação permanente da igreja'', afirmou o novo arcebispo de São Paulo, d.Odilo Pedro Scherer, de 57 anos, sobre a perda de católicos para outras religiões e sobre a dificuldade de evangelizar aqueles que não escolheram uma religião a seguir.
Segundo informou d.Odilo, o encontro terá 455 participantes (entre bispos, teólogos, assessores e administradores diocesanos) e servirá como preparação para a 5 Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho.
A conferência será aberta pelo papa Bento XVI no dia 13. Cerca de 35 integrantes da igreja católica brasileira - entre eles, 25 bispos - representarão o Brasil em Aparecida, de 13 a 31 de maio. Durante a assembléia em Itaici serão eleitos presidente, vice-presidente e secretário-geral da CNBB. Ontem d. Odilo esquivou-se de responder sobre suas pretensões em relação aos cargos executivos da confederação.
O arcebispo de São Paulo foi empossado em missa com 2.500 fiéis realizada anteontem na Catedral da Sé, em São Paulo. Enquanto arcebispo, D. Odilo pode ser reeleito secretário-geral, eleito presidente ou vice da CNBB, pois cumpre seu primeiro mandato. Caso seja eleito presidente, vice-presidente ou secretário da CNBB, ocuparia dois importantes cargos da Igreja Católica.
''Pelo regimento eu poderia. Se eu quero, se eu posso, é outro assunto. Eu não sei disso, a assembléia geral é que decide'', afirmou, aparentemente bem-humorado. A posse do conselho da CNBB ocorre no último dia da assembléia geral.
Neste ano, os bispos votarão em urnas eletrônicas, com sistemas desenvolvidos especialmente para esta eleição, que começa nesta quinta-feira.
D. Odilo reafirmou a intenção da igreja de trabalhar para manter os católicos praticantes e acolher os católicos distantes das diretrizes católicas. ''A idéia de católicos de qualidade ou não-qualidade não me é simpática, porque dá idéia de produto e com gente não fazemos isso'', afirmou. ''Eu diria que a igreja não vai abrir mão dos católicos bem preparados, bem conscientes, bem identificados com aquilo que é a missão, a identidade, a proposta da igreja católica para o mundo. Mas isso não significa que os outros não interessam. A igreja é missionária no sentido de ir a todos, inclusive os que estão longe e não estão ligados à fé católica.''
Além de discutir quais temas serão levados a Aparecida, os bispos também deverão aprovar o documento sobre a evangelização da juventude, tema da assembléia no ano passado.

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