CNBB critica governo no campo social
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quarta-feira, 16 de abril de 1997
Agência Estado 
Dida Sampaio/Agência Estado
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AdesãoSuplicy (PT-SP) e Requião (PMDB-PR) plantam uma muda de Jatobá durante participação na marchaINDAIATUBA - Documento oficial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, (CNBB), divulgado ontem na 35ª assembléia da entidade, que reúne 290 bispos no mosteiro de Itaici, em Indaiatuba, critica a atuação do governo Fernando Henrique Cardoso no campo social e sócio-econômico. O texto, entitulado Vida com Dignidade, reclama a urgente definição de novos modelos de desenvolvimento e defende a criação de uma agenda social para combater a fome e erradicar o analfabetismo.
Aprovado em plenário durante a assembléia, o documento diz que o quadro de exclusão e miséria em que tentam sobreviver milhões de brasileiros é consequência direta da ordem econômica neoliberal que sobrepõe o lucro e o capital à pessoa humana, ao trabalho e ao bem comum. Em outro trecho, o texto diz que o empobrecimento do povo não deve ser aceito como custo inevitável do desenvolvimento econômico.
A liberdade de um presidente em implantar o sistema neoliberal é relativa, porque isso traz consequências sérias, disse o bispo de Imperatriz, no Maranhão, dom Afonso Gregory, que ajudou a redigir o documento. Segundo ele, o neoliberalismo se transformou numa espécie de dogma. Seus defensores acham que sem esse modelo não há salvação, diz.
No texto, a CNBB diz que em países do primeiro mundo, os danos causados aos trabalhadores pela nova ordem econômica são atenuados pelas conquistas e garantias dos direitos sociais, como salário desemprego e seguro social. Para dom Gregory, no Brasil, a atual política do governo levou a uma regressão nas políticas sociais. Direitos conquistados a duras penas estão desaparecendo, afirma.
Pausa O senador Roberto Requião (PMDB-PR) deixou de lado a CPI dos Títulos Públicos para caminhar com os sem-terra que chegaram ontem pela manhã a Brasília. Ao seu lado, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que já esteve acompanhando a marcha por três horas na segunda-feira. O governador do Espírito Santo, Victor Buaiz (PT), também incorporou-se aos sem-terra. Suplicy, Requião e Buaiz não ficaram mais que duas horas na marcha dos sem-terra. Não me preocupo se acham isso oportunismo, disse Requião, assegurando que no Paraná sempre defendeu o MST.


