Brasília - A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) condenou ontem, em nota, o programa dos Ministérios da Saúde e da Educação de distribuição de preservativos nas escolas públicas. ''É louvável a preocupação do poder público para evitar a propagação da Aids e a gravidez precoce. Contudo, não parece que o método utilizado seja adequado. Pesquisas científicas mostram que há uma porcentagem significativa de infecção, mesmo com o uso de preservativo. Este não oferece garantias totais'', diz a nota divulgada após a 3 Reunião do Conselho Episcopal Pastoral (Consep).
Os ministérios da Saúde e da Educação lançaram um projeto-piloto em quatro cidades Curitiba, São Paulo, São José do Rio Preto (SP) e Rio Branco (AC) que visa distribuir camisinhas a estudantes do ensino médio de escolas públicas. De acordo com dados do governo federal, referentes a 2000, são cerca de 730 mil alunos matriculados em instituições de ensino médio nessas quatro cidades.
O presidente da CNBB, dom Geraldo Magella Agnelo, disse, depois do encontro da Consep, que o crescente número de casos de Aids entre os jovens é ''muito grave'' e se deve à ''degradação dos costumes'', mas não se pode conceber a utilização do método de distribuição de preservativos como forma de resolver o problema.
''A CNBB se empenha em apoiar e desenvolver campanhas educativas, formativas e informativas que visam ampliar os conhecimentos de toda a população, especialmente dos adolescentes e jovens, para que tenham um estilo de vida saudável, comportamentos pautados nos valores humano-cristãos, e não, simplesmente, na mera distribuição de preservativos'', afirma a nota.
Na reunião do Conselho Episcopal, os bispos discutiram o tema da campanha da fraternidade de 2004, Água, fonte de vida. Segundo a CNBB, o lema servirá para se debater a carência de água em algumas regiões do País e os problemas enfrentados pela população carente por causa do problema.

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