INDAIATUBA - Relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT), divulgado ontem na 35ª Assembléia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), no mosteiro de Itaici, reclama ‘‘uma reforma profunda no Judiciário’’, a fim de acabar com a violência no campo.
Para a CPT, os conflitos ocorridos no Pará indicam ‘‘inequívoca’’ relação entre o crime organizado, a atividade policial e a ação do Poder Judiciário. ‘‘Inquéritos e processos ficam engavetados nas delagacias e fóruns, mandantes e assassinos de inúmeras chacinas não são julgados e circulam impunemente pela região.’’ Pesquisa feita pela CPT mostra que nos últimos 12 anos foram assassinados 979 trabalhadores rurais e lideranças no Pará. No mesmo período, foram realizados 57 julgamentos. De 85 a 96, foram registradas 29 chacinas com 186 mortes no estado.
A reivindicação da CPT se baseia num estudo do procurador do Ministério Público Federal, Álvaro Ribeiro da Costa, segundo o qual ‘‘o inquérito policial é fator de impunidade’’. O texto diz que, muitas vezes, os inquéritos não são sequer instaurados. Quando isso ocorre, ‘‘são ilegalmente arquivados’’.

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