CNBB condena violência no campo
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sexta-feira, 16 de abril de 1999
Por Milton Bridi 
Itaici, SP, 17 (AE) - Os bispos reunidos na 37ª assembléia geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Itaici, no municipio paulista de Indaiatuba, voltaram a atacar hoje a violência no campo ao lembrar o terceiro aniversário do massacre ocorrido em Eldorado dos Carajás, no Pará. Eles criticaram também o desemprego e defenderam a presença da Igreja nas discussões dos problemas sociais e econômicos.
O massacre foi lembrado com críticas. "Infelizmente, sem uma política agrária eficiente a violência no campo vai continuar e a realidade no setor pouco mudou nos últimos 3 anos", afirmou Dom Lélis Lara, bispo mineiro de Itabira. D. Laurindo Guizzardi, da diocese de Bagé, no Rio Grande do Sul, outro representante da CNBB designado para falar com os jornalistas hoje, citou que em 1960 cerca de 40% da população brasileira morava na cidade e outros 60% na zona rural. "Atualmente, esse número se inverteu e hoje 80% da população mora em centros urbanos por falta de uma política agrária inteligente", disse.
D. Laurindo afirmou que depois do Plano Real os desafios estão sendo maiores e que a crise do desemprego aumentou, inclusive o número de brasileiros que deixaram o País. Pelo levantamento do Ministério das Relações Exteriores, existiam mais de 1,6 milhão de brasileiros emigrantes até o ano de 1995. "Atualmente, acredito que existam cerca de 2 a 3 milhões de brasileiros lá fora", disse. "O número é difícil de precisar em função de muitos estarem irregulares".
O bispo coordena a Pastoral do Emigrante há tres anos. "Os problemas que eles enfrentam lá fora são os mais diversos, desde o choque da cultura, passando por problemas de saúde e com a polícia, além de separações de casais", constatou. A pastoral não tem o levantamento completo. Mas o religioso acredita que o maior número de emigrantes brasileiros estão, pela ordem, nos Estados Unidos, Paraguai e Japão. "Os países da Europa vêm em quarto lugar". O bispo criticou a política neoliberal do presidente Fernando Henrique Cardoso. "Com a globalização não há empregos para todos. Se pelo menos tivéssemos feito uma reforma agrária inteligente, a situação poderia ser outra".
Os dois bispos voltaram a defender a presença da igreja nas discussões sociais e econômicas. "É uma ignorância pensar que somente porque não se mete em assuntos relacionados aos dogmas da igreja não pode-se falar sobre a atual conjuntura que o País atravessa", disse D. Laurindo. "Temos que nos preocupar com a parte religiosa e também com a realidade que nos cerca", acrescentou D. Lélis. O desabafo dos religiosos tinha um endereço certo: o presidente Fernando Henrique, que disse que a Igreja Católica não deveria opinar em assuntos que não conhece.
Os 280 bispos participaram hoje à noite de uma celebração eucarística no ginásio municipal de esportes de Indaiatuba, onde foram abertas as comemorações dos 500 anos de evangelização no Brasil. A Igreja se prepara para pedir, neste período, perdão aos índios e aos negros por não ter dado assistência necessária a eles. "Muitos jesuítas foram expulsos do nordeste por defender os índios, mas com relação ao negro, a Igreja foi totalmente omissa durante o período de escravidão", completou D. Laurindo.


