CNBB aponta trabalho escravo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de setembro de 1998
Carlos Mendes especial para a AE 
O número de fazendas que se utilizam do trabalho escravo dobrou, nos últimos dois anos, nos Estados do Pará e Amapá, segundo levantamento da Comissão de Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O sul do Pará é a região que mais registrou denúncias comprovadas de violência contra trabalhadores contratados no Maranhão e Piauí.
Entre 1996 e o final do ano passado foram autuados e processados 16 fazendeiros, metade reincidente nos mesmos crimes. Em 95, oito fazendeiros haviam sido processados.
Fiscais da Delegacia Regional do Trabalho e agentes da Polícia Federal libertaram trabalhadores mantidos em cárcere privado, sem carteira profissional assinada ou qualquer outro direito trabalhista reconhecido pelos fazendeiros.
Os resultados completos da pesquisa serão publicados num livro que será lançado até dezembro em todo o País.
O coordenador da Comissão de Justiça e Paz no Pará, padre Adriano Sella, criticou as autoridades pelo descaso com que tratam a questão. Segundo Sella, a pesquisa constatou que vários trabalhadores, além de explorados em seus direitos e trabalhar dobrado para ganhar metade do salário mínimo, ainda eram submetidos a espancamentos até a morte ou mantidos em cárcere privado.
Em municípios como Redenção, Rio Maria e Conceição do Araguaia foram descobertos vários cemitérios clandestinos em fazendas onde eram enterrados os peões assassinados. Sella culpa o neoliberalismo e a globalização, que segundo ele provocam o desemprego. Para sobreviver, os trabalhadores se submetem a receber salários indignos.


