CNA reclama com Botafogo sobre possibilidade de taxação a exportações
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de fevereiro de 1999
Por Mariângela Heredia 
Brasília, 05 (AE) - O presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antônio Ernesto de Salvo, levou hoje ao secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), José Botafogo Gonçalves, a preocupação do setor com a possibilidade de o governo taxar as exportações de commodities agrícolas como a soja e o café. "Não há perigo de desabastecimento, a próxima safra é suficiente e produzirá excedentes exportáveis", garantiu. O presidente da CNA disse ao secretário que qualquer decisão prematura neste sentido poderia desestimular os produtores rurais na hora de expandir a área plantada e gerar maior produção, pois estariam correndo o risco de o governo apropriar-se de eventuais ganhos.
De acordo com a CNA, Botafogo confirmou que o assunto foi discutido ontem, em reunião na Camex, quando o ministro da Agricultura, Francisco Turra, e do Desenvolvimento, Celso Lafer, se posicionaram contra a medida. Salvo disse ao secretário que possíveis aumentos de preços dos produtos agrícolas precisam ser tolerados dentro dos limites razoáveis, com paciência suficiente para esperar a reacomodação dos preços após a crise da desvalorização cambial.
Para justificar a posição do setor primário contra a taxação das exportações agrícolas, o presidente da CNA ressaltou que a agropecuária tem uma folha de serviços prestados na sustentação dos preços do Plano Real, "o que a qualifica a curto prazo a continuar exercendo este papel, aliado à necessária recuperação de renda do setor". Para Salvo, não há razão para se achar que justamente o setor que serviu de âncora para o plano de estabilização da economia vá, agora, especular. Além do mais, destacou, só as commodities agrícolas comercializadas no mercado internacional é que poderiam ser beneficiadas com eventuais ganhos obtidos pela desvalorização da moeda. Qualquer confisco agora, observou, poderá não somente desestimular o plantio e reduzir a produção, mas gerar déficits na balança comercial, com maiores prejuízos a médio prazo.


