CNA pede intervenção do governo federal no MS para solucionar conflito entre índios e fazendeiros
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segunda-feira, 17 de abril de 2000
Por João Naves de Oliveira, especial para a AE 
Campo Grande, 18 (AE) - O presidente da subcomissão nacional do Meio Ambiente e Populações Indígenas da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Léo Brito, enviou, hoje, um ofício ao ministro da Justiça, José Gregori, relatando o clima tenso na região leste e sul do Mato Grosso do Sul, por causa da disputa de terras entre índios (terena, guarani e kaiowa) e produtores rurais, e pedindo a intervenção do governo federal. Segundo Brito, ele foi procurado por fazendeiros de Sidrolândia, Aquidauana, Miranda e Caarapó que fizeram "apelos desesperados" para que se evite a guerra.
Há informações de que os dois lados estão se armando para um confronto. Nessas regiões vivem cerca de 16 mil índios; há 73 propriedades rurais. No ofício envido ao ministro, conforme Brito, ele solicita providências para impedir "desdobramentos indesejáveis a toda a sociedade sul-mato-grossense". "Consideramos ser de fundamental importância a intervenção federal no Estado, bem como a imediata presença da Polícia Federal (PF) nas áreas de conflito", assinala o texto, que conta com o aval da Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul.
O presidente da subcomissão adverte que pode haver derramamento de sangue em decorrência de contínua omissão dos poderes constituídos. Mais adiante, acrescenta: "por isso estamos solicitando enérgicas e urgentes providências a fim de que o conflito seja resolvido sem as nefastas consequências que se vislumbram com facilidade". O presidente da subcomissão diz que tem informações de que os índios estão fortemente armados, ameaçando a segurança dos produtores rurais e suas famílias.


