CNA lamenta corte de apenas 1,5 pp da Selic
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quarta-feira, 11 de março de 2009
Fabíola Salvador<br> Agência Estado 
Brasília - A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO), lamentou ontem a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic em 1,5 ponto porcentual. Numa rápida entrevista por telefone, de São Paulo, onde se reuniu na tarde de ontem com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a senadora comentou a decisão do Copom, que fixou a taxa Selic em 11,25% ao ano.
AE - O que a senhora achou da decisão do Copom de reduzir a taxa de juros em 1,5 pp?
Kátia Abreu - É uma notícia ruim. A Selic tinha que ter caído 2 pontos porcentuais. O único instrumento que o governo tem para reaquecer a economia é a política monetária, porque a política fiscal se esgotou. O inchaço da máquina pública impede o investimento. Eu tenho conversado com analistas que estimam que o investimento, em 2009, será de 0,7% do PIB, o que é um desastre.
AE - Como a decisão de hoje favorece o agronegócio?
Kátia Abreu - As tradings que costumavam emprestar dinheiro para o setor agrícola captam recursos no mercado externo a Libor mais 1%. Hoje, com a crise, o recurso é captado a Libor mais 2%, o que dá em média 6% de taxa. Quando elas repassam esse dinheiro para o produtor rural, elas oferecem com a taxa Selic. Então, quanto menor a taxa, melhor para os agricultores. Quando o governo mantém a taxa básica elevada, a iniciativa privada deixa de captar recursos no mercado interno e vai buscar no exterior, o que é ruim. Ao não baixar a Selic para um porcentual razoável, o governo está cavando uma recessão.


