Bra­sí­lia - A pre­si­den­te da Con­fe­de­ra­ção da Agri­cul­tu­ra e Pe­cuá­ria do Bra­sil (CNA), se­na­do­ra Ká­tia ­Abreu (DEM-TO), la­men­tou on­tem a de­ci­são do Co­mi­tê de Po­lí­ti­ca Mo­ne­tá­ria (Co­pom) de re­du­zir a ta­xa Se­lic em 1,5 pon­to por­cen­tual. Nu­ma rá­pi­da en­tre­vis­ta por te­le­fo­ne, de São Pau­lo, on­de se reu­niu na tar­de de on­tem com o ex-pre­si­den­te Fer­nan­do Hen­ri­que Car­do­so, a se­na­do­ra co­men­tou a de­ci­são do Co­pom, que fi­xou a ta­xa Se­lic em 11,25% ao ano.
AE - O que a se­nho­ra ­achou da de­ci­são do Co­pom de re­du­zir a ta­xa de ju­ros em 1,5 pp?
Ká­tia ­Abreu - É uma no­tí­cia ­ruim. A Se­lic ti­nha que ter caí­do 2 pon­tos por­cen­tuais. O úni­co ins­tru­men­to que o go­ver­no tem pa­ra rea­que­cer a eco­no­mia é a po­lí­ti­ca mo­ne­tá­ria, por­que a po­lí­ti­ca fis­cal se es­go­tou. O in­cha­ço da má­qui­na pú­bli­ca im­pe­de o in­ves­ti­men­to. Eu te­nho con­ver­sa­do com ana­lis­tas que es­ti­mam que o in­ves­ti­men­to, em 2009, se­rá de 0,7% do PIB, o que é um de­sas­tre.
AE - Co­mo a de­ci­são de ho­je fa­vo­re­ce o agro­ne­gó­cio?
Ká­tia ­Abreu - As tra­dings que cos­tu­ma­vam em­pres­tar di­nhei­ro pa­ra o se­tor agrí­co­la cap­tam re­cur­sos no mer­ca­do ex­ter­no a Li­bor ­mais 1%. Ho­je, com a cri­se, o re­cur­so é cap­ta­do a Li­bor ­mais 2%, o que dá em mé­dia 6% de ta­xa. Quan­do ­elas re­pas­sam es­se di­nhei­ro pa­ra o pro­du­tor ru­ral, ­elas ofe­re­cem com a ta­xa Se­lic. En­tão, quan­to me­nor a ta­xa, me­lhor pa­ra os agri­cul­to­res. Quan­do o go­ver­no man­tém a ta­xa bá­si­ca ele­va­da, a ini­cia­ti­va pri­va­da dei­xa de cap­tar re­cur­sos no mer­ca­do in­ter­no e vai bus­car no ex­te­rior, o que é ­ruim. Ao não bai­xar a Se­lic pa­ra um por­cen­tual ra­zoá­vel, o go­ver­no es­tá ca­van­do uma re­ces­são.

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