CNA insiste em liberar importação de insumos para reduzir custos
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quinta-feira, 02 de setembro de 1999
Por Renato Andrade 
Brasília, 3 (AE) - A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) continua pleiteando junto ao governo a permissão para que os produtores rurais brasileiros possam importar insumos agrícolas (defensivos, fertilizantes entre outros). Levantamento feito pela entidade, com base em números apurados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostra que de julho de 1994 a maio deste ano, os preços dos insumos e dos serviços de mão-de-obra rural aumentaram, em média, 81,77%, enquanto que os preços recebidos pelos produtores rurais, no mesmo período, registraram crescimento de 46,07%, ou seja, um crescimento 35,7 pontos porcentuais menor do que o apurado com gastos com insumos.
De acordo com Getúlio Pernambuco, assessor técnico da CNA, a liberação das importações de insumos poderia gerar uma redução de 30% a 40% nos gastos com estes produtos já que, de acordo com cálculos da CNA, o preço de insumos no País é, em média, 30% a 40% mais caro do que o praticado em outros países.
"Como nossa legislação faz com que o País seja não-intercambiável na questão de insumos, as empresas do setor acabam fechando preços mais altos internamente", avalia. De acordo com o técnico, a questão da liberação de importações de insumos já foi colocada para o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, mas nenhuma solução foi apresentada.
A alta dos preços de insumos registrada nestes últimos cinco anos tem anulado os efeitos do aumento de produtividade alcançados pela agricultura brasileira, de acordo com análise da CNA.
Ainda de acordo com o estudo, outra consequência desse desequílibro entre precos pagos e preços recebidos na agricultua foi a redução da área plantada no País. Na safra 1997/98 a área utilizada foi de 42,8 milhões de hectares, enquanto que na safra 1998/99 a área caiu para 36,5 milhões, retração de 6,3 milhões de hectares em um ano.
Outro fator que tem contribuído para redução da renda agrícola é a queda dos preços das commodities no mercado internacional. Pernambuco avalia que a queda dos preços no mercado internacional está ligada aos subsídos praticados, principalmente, em países da União Européia e Estados Unidos. "Estes subsídos forçaram um aumento da produção mundial com consequente queda nos preços das commodities", avalia.
Dados da Balança Comercial brasileira no mês de agosto mostram que apesar dos aumentos em volume, as exportações de commodities têm registrado desempenho financeiro negativo. De acordo com números divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, apesar das exportações de óleo de soja terem aumentado em 10,6% em agosto deste ano, em comparação com agosto do ano passado, o resultado financeiro destas exportações foi 31,6% pior do que o registrado em agosto de 1998.
Outro exemplo de retração em resultados financieros é o do açucar bruto. Apesar de um aumento, em volume, de 52,8%, as exportações do produto no mês passado geraram um resultado financeiro 36,5% menor do que o apurado em agosto de 1998. "Para combater isto temos que lutar pelo fim dos subsídios praticados em nossos países concorrentes", avalia técnico da CNA.
Apesar de terem divergido na questão do endividamento do setor e ainda não terem encontrado uma solução para a questão das importações de insumos, a CNA e o Ministério da Agricultura conseguiram uma sintonia na tentativa de combater os subsídios praticados pelos demais países produtores de gêneros agrícolas. "Nesta questão existe uma afinidade", pondera Pernambuco.


