CNA diz que dificuldade para renegociar dívida pode prejudicar safra
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quinta-feira, 23 de setembro de 1999
Por Fredy Krause 
Brasília, 24 (AE) - A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) já detectou indícios de que poderá haver redução de até 10%, na próxima safra, das áreas plantadas com feijão, arroz e milho em consequência do aumento de preços dos insumos e das dificuldades que os produtores vêm encontrando para renegociar suas dívidas e de acesso a novos financiamentos. A indicação ainda é preliminar, segundo a CNA, pois a entidade só vai concluir, na próxima semana, um levantamento inicial das intenções de plantio para a safra de verão nas principais regiões produtoras.
Em boletim informativo distribuído hoje pela CNA, o presidente da entidade, Antônio Ernesto de Salvo, afirma que "há um sentimento de frustração na agropecuária" e adverte que
"se não houver uma solução para os problemas mais urgentes, a safra poderá ficar abaixo das necessidades do País". Segundo o boletim, na avaliação do Departamento Econômico da entidade, os custos médios da produção agrícola subiram mais de 30% de uma safra para outra, e alguns insumos chegaram mesmo a aumentar em mais de 100% depois da desvalorização cambial. Com isso, ficou prejudicada a competitividade dos produtos nacionais, principalmente no Mercosul, uma vez que nos países vizinhos os insumos chegam a custar 40% a menos que no Brasil. Uma vez concluído o levantamento, os dados serão repassados pela CNA às federações estaduais de agricultura, para que orientem os produtores. A orientação é no sentido de se plantar somente o que for possível, custear com recursos próprios e que possa trazer melhor retorno ao investimento. "É preferível orientar os produtores para que eles decidam o que plantar, mas mantendo-se sadios economicamente", sustenta Antonio Ernesto de Salvo.


