Há dois anos o luthier Genaro Pereira da Silva mora em Londrina. Ele trouxe para a cidade a delicadeza de um ofício que poucos conhecem: a arte de construir violinos, violoncelos e contrabaixos. Este trabalho foi apresentado na edição da Folha de Londrina, do dia 7 de outubro. Para produzir estes instrumentos, a única coisa que o artesão precisa além da habilidade e das ferramentas adequadas, é de espaço.

Para dar forma aos instrumentos que constrói, o luthier escolheu como cenário o lugar que considera mais bonito na cidade: as margens do Lago Igapó II. Durante cerca de um mês Genaro compareceu quase diariamente ao local, com seus equipamentos para dar forma aos instrumentos. Com o passar dos dias a habilidade dele se tornou atração no lago e chamou atenção de algumas pessoas que acabaram se tornando amigas do artesão. Para trabalhar ele improvisou um banco de madeira, construído de forma rústica no local.

Na última quarta-feira, dia 13 de outubro, o luthier foi interrompido por um fiscal da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), que ameaçou notificá-lo caso não saísse de lá. O fiscal alegou que Genaro estava vendendo um serviço, o que não é permitido pelo município. ''Eu não estava comercializando nada, apenas construía meus violinos. Apesar disso, não quis ser notificado. Disse que sou aposentado, que trabalhei 30 anos em uma empresa sem nunca ter sido chamado atenção. Por isso não deixaria ele me notificar. Destruí meu banco antes que ele pudesse fazer qualquer coisa.''

Apesar disso, Genaro disse que se um dia tiver autorização para voltar, vai retomar as atividades. ''Mas para isso preciso ter um documento por escrito, por que se vier algum outro fiscal eu tenho como provar que sou autorizado,'' disse.

Para a artista plástica Raquel Carraro, a presença do luthier no lago é uma atração cultural. ''Ele é uma pessoa vivida que tem muito a ensinar. Acho que a cidade não poderia perder a chance de levar à comunidade este conhecimento.'' Segundo ela, as caminhadas eram mais interessantes quando Genaro estava por ali. ''Em vez de tirá-lo de lá, o município poderia deixá-lo e reunir uma vez por mês diversos artistas, músicos, pintores, artistas plásticos, artesãos, como num circuito cultural, que tornaria a o lago mais bonito e atrativo para todos.''

Conforme o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), André Nadai, o que ocorreu foi um mal entendido. ''Não temos interesse em retirar o artesão do local, o que não queremos é a comercialização de produtos, mas este não era o caso.'' Ele disse que pode conceder uma autorização por escrito para que Genaro continue trabalhando às margens do lago. ''Peço que ele me procure na CMTU por que vamos providenciar um documento para que ele possa ocupar aquele espaço com tranquilidade.''

Em relação à sugestão da artista plástica, Nadai disse que a ideia pode ser pensada. ''Podemos amadurecer esta sugestão. Sempre damos apoio às associações culturais e de moradores que desenvolvem atividades deste tipo.''

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