CMTU tenta despejar recicladores de barracão
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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Danilo Marconi <br> Reportagem Local 
Londrina - Fiscais da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) tentaram despejar ontem um grupo de recicladores que ocupa um barracão de 1.913 metros quadrados no Parque das Indústrias Leves (Zona Leste de Londrina).
O imóvel foi alugado em março pelo poder público para abrigar catadores que viviam em áreas de preservação ambiental ao custo de R$ 8 mil por mês. O contrato com a proprietária do barracão venceu em 26 de outubro. A empresa conseguiu uma liminar judicial pela reintegração de posse da área. O prazo para desocupação venceu na última quarta-feira.
Os ocupantes são ligados à Coocepeve, cooperativa composta por 160 catadores e que não mantém contrato com o município. O grupo é formado por 25 pessoas, responsáveis pela coleta em aproximadamente 35 mil domicílios das regiões Central e Leste. ''Eles querem tirar a gente na marra e antes da Justiça'', reclamou Juracir Joaquim da Paixão.
A CMTU propôs ajudar no transporte dos materiais armazenados no imóvel. ''Quando a gente chegou aqui, eles (CMTU) cortaram nossos bairros, sacaria, caminhão, água e luz. Foi desumano. Agora pressionam para a gente sair'', criticou Luciana da Silva.
Houve negociação para que esse grupo de catadores integrasse a Cooprelon, cooperativa que mantém contrato com a CMTU. ''A gente sabe que enfraquece a Coocepeve. Eu só quero que eles saiam com a certeza que vão trabalhar, que vão ter um barracão'', disse a presidente da Coocepeve, Sandra Araújo. No entanto, não houve acordo. ''Agora no final do ano é complicado, são vários fatores quem impedem (a entrada de novos integrantes na cooperativa)'', alertou o presidente da Cooprelon, Maurício Montezini.
O presidente da CMTU, André Nadai, salientou que o órgão não vai admitir que os catadores continuem ocupando o barracão de forma irregular. ''Já entregamos três notificações e eles continuam. Vamos informar o juízo que estamos com dificuldade para retirá-los de lá'', disse.
Impasse
A CMTU apresentou há duas semanas nova proposta de contrato para a Coocepeve. A cooperativa iria recolher o lixo reciclável em mais 42 mil imóveis, além de ter barracões, transporte e sacaria financiados. Porém, a entidade não aceitou.
Os catadores que compõem a cooperativas foram os pioneiros no setor e questionaram as áreas perdidas para outros recicladores, que geravam mais lucro pelo volume de material recolhido. A Coocepeve apresentou uma contraproposta para a CMTU, que aumentou a área de cobertura para mais de 48 mil domicílios.
Na nova contraproposta, protocolada na última quarta, o aviso deixa claro a insatisfação da categoria: ''Por isso, por justiça e respeito, quero as áreas que já nos pertenciam e condições para prestar um bom trabalho''. ''Há mais de dez anos estamos nesse trabalho. Área descoberta é começar do zero'', disse Sandra Araújo.
''A CMTU mantém a proposta apresentada, que está dentro dos valores das outras cooperativas. Não vamos fazer um contrato diferenciado'', avisou Nadai. Cooprelon e Coopersil aceitaram a proposta da CMTU.


