CMTU sugere trituração de lixo doméstico e comercial
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quarta-feira, 08 de agosto de 2007
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Em meio à polêmica em torno da compostagem do lixo orgânico em Londrina, o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Mauro Yamamoto, levantou ontem a possibilidade de se implementar um sistema de trituração de restos de comida em ambiente doméstico e comercial. Ele afirmou que aguardava resposta a uma consulta feita à Sanepar. A companhia de saneamento, por sua vez, adiantou à FOLHA que é contrária à idéia.
Segundo Yamamoto, os cidadãos passariam pelos aparelhos trituradores somente restos de frutas, verduras e legumes, que não tiveram contato com qualquer tipo de gordura ou condimento. ''Como são alimentos compostos basicamente de água, eles poderiam cair na rede de esgoto da Sanepar e chegar ao final em condições adequadas para a produção de adubo'', explicou.
Em torno de 50% de todo o resíduo sólido domiciliar são compostos por esse tipo de alimento, de acordo com o presidente da CMTU. ''A trituração diminuiria muito o volume de lixo do nosso aterro'', concluiu. Ele ressaltou que várias residências e estabelecimentos comerciais já possuem o triturador, disponível no mercado. Os técnicos da CMTU também estão avaliando a idéia, conforme Yamamoto.
O gerente geral da Sanepar em Londrina, Sérgio Bahls, declarou que a iniciativa seria altamente prejudicial ao processo de tratamento de esgoto. ''O que pode ser lançado na rede é o resíduo de sanitário e a água utilizada na higiene doméstica. A estação não é projetada para tratar alimento processado'', sentenciou.
Bahls ressaltou que o lançamento de restos de comida, ainda que vegetais, levaria à proliferação de ratos, representando ameaça à saúde pública. ''Não há lei que proíba ou permita essa prática, mas nós orientamos as pessoas a não utilizarem o triturador'', apontou.
O preço do aparelho também pode inibir os usuários, que pela proposta da CMTU teriam de arcar com o custo. Uma pesquisa feita em sites de lojas de eletrodomésticos na internet mostra que o valor de um triturador de resíduos alimentares doméstico varia em torno de R$ 600,00 a R$ 1 mil.
A destinação do lixo orgânico foi tema de um embate entre o Ministério Público Estadual (MPE) e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) na última terça-feira. Durante audiência pública, o secretário Gerson da Silva rejeitou o modelo de compostagem (reciclagem de matéria orgânica para uso como adubo) do lixo, cobrado pelo MP com base em lei federal. O procurador de justiça Saint-Clair Honorato Santos declarou que Londrina ''parece não ter uma administração responsável e preocupada com o meio ambiente.''


