No Terminal Urbano Central, apesar de algumas reclamações, maioria dos usuários se disse favorável à paralisação dos caminhoneiros
No Terminal Urbano Central, apesar de algumas reclamações, maioria dos usuários se disse favorável à paralisação dos caminhoneiros | Foto: Marcos Zanutto



No quarto dia de paralisação dos caminhoneiros, londrinenses ficaram sem combustível em seus veículos e optaram pelo transporte coletivo. Mas a falta de diesel também atingiu a frota da TCGL (Transporte Coletivo Grande Londrina), que alterou os horários de ônibus para economizar o estoque nesta quinta-feira (24). Os serviços funcionaram somente até às 20h e excepcionalmente das 22h às 23h para atender os estudantes que voltavam das escolas e universidades. Já os serviços da linha especial PSIU foram suspensos desde o meio-dia.

Sem abastecimento, a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) remanejou os horários do transporte coletivo para todo o final de semana. Na sexta-feira (25), só 70% dos serviços serão ofertados: das 5h30 às 8h30; das 11h30 às 13h30, das 17h às 20h e das 22h às 23h. Fora esses horários, a CMTU informa que não haverá atendimento. Nos distritos rurais, a escala do transporte coletivo é a mesma. A única ressalva é das 22h30 até as 23h40, quando haverá ônibus para atender aos estudantes.

No sábado (26), também com 70% do serviço disponível, a frota circulará apenas das 5h30 às 8h30; e das 13h às 14h. A mesma situação se dará nos distritos rurais. Já no domingo (27), o transporte coletivo não terá atendimento.

A CMTU e o Metrolon (Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário de Passageiros Intermunicipais) vão estudar ainda nesta sexta (25) as condições de abastecimento para programar os horários e linhas do transporte coletivo que funcionarão a partir de segunda-feira (28). A assessoria do Metrolon, disse que o sindicato entrou com pedido de liminar judicial para que os ônibus fossem abastecidos emergencialmente. Foram feitas reclamações de que os horários de circulação dos ônibus neste fim de semana beneficiariam apenas ao comércio, deixando de lado os plantões em hospitais. Todavia, o Metrolon afirmou que "todo o calendário foi feito levando em conta o benefício da maioria e calculando o estoque de combustível que as empresas tinham na garagem, porque também acabou nos postos". "Pensamos no benefício da maioria, nos estudantes do período noturno", conclui.

Salda da Silva, 53, costuma usar o transporte coletivo diariamente. "Tenho que pensar como vou fazer nos próximos dias. Sexta-feira a gente ainda trabalha, vai ficar complicado. Com esses horários já fica tudo fora da rota da gente", explica. No entanto, ela concorda com a paralisação. "Prejudica a gente de alguma forma? Sim, mas se não fizessem isso agora, até quando iria essa situação? Temos que dar parabéns para esses caminhoneiros. Sofrer um pouco agora não dá nada, não", alega. Silva não conseguiu abastecer o carro. "O pouco que temos de combustível está reservado porque minha filha está para dar à luz. A gente não tem noção por quantos dias irá a paralisação", argumenta.

No terminal central, Marta Vicente, 38, preferiu deixar o carro com o restante da gasolina em casa. Ela também apoia os caminhoneiros. "Tem mais é que paralisar tudo mesmo e o povo não pode reclamar porque é benefício para o povo", opina. "Do jeito que eles estão protestando está ótimo, não estão machucando ninguém". Sobre a diminuição do oferecimento da frota, Vicente garante: "preciso do ônibus, mas eu pago o preço junto com eles, não tem problema". Gilmar Machado, 42, pegou o transporte coletivo excepcionalmente nesta quinta-feira, pela falta de combustível. "O carro tem um pouquinho de gasolina mas ficou na garagem". Machado simpatiza com a paralisação. "Posso ficar uns 15 dias sem ônibus". Diferentemente de Maria Inês Nobre Ota, 62, que não concorda com os caminhoneiros. "Isso é golpe. Não é greve, é locaute, impedem nosso direito de ir e vir", opina. A professora aposentada atua na Cuia (Comissão Universidade para os Índios) da UEL (Universidade Estadual de Londrina) e explica que desde terça-feira (22) seus alunos indígenas não conseguiram ir às aulas. Os índios dependem do transporte para o trajeto da aldeia de Apucaraninha e São Jerônimo da Serra para a UEL. "Hoje eu avisei que as aulas estavam suspensas por conta disso. Para nós está muito ruim", alega.

METROPOLITANO
Quanto ao transporte metropolitano, a empresa Til informou que continuará com os serviços regularmente nesta sexta-feira (25). Já a direção do Grupo Garcia Brasil Sul informou, por meio de nota, que "a frota das empresas do grupo, nas linhas rodoviárias e metropolitanas, está atendendo normalmente ao público. Não há paralisação. Após uma reavaliação foi constatado que as empresas possuem estoque de óleo diesel para três dias, nas garagens de todas as filiais da Garcia Brasil Sul. As empresas terão problemas, como todas as outras. Mesmo assim, a diretoria do grupo apoia a greve".

O superintendente da rodoviária de Londrina, Sandro Boldieri Neves, disse que o funcionamento do terminal segue com "normalidade". "Uma ou outra empresa cortou ao máximo dois horários", pontua. Neves acredita que, se houver alguma mudança no calendário das empresas, "isso vai começar a refletir mais para o fim da semana. Até sexta-feira tudo certo, ônibus chegando e saindo com normalidade", garante.

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