CMTU e recicladores fecham acordo
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sábado, 11 de janeiro de 2014
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Londrina - As cinco cooperativas de reciclagem e a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) assinaram no final da tarde de ontem os contratos para garantir a manutenção do serviço de coleta seletiva em Londrina. A partir de agora, o município irá repassar os valores de acordo com a quantidade de toneladas comercializadas.
A CMTU ofereceu o repasse de R$ 212 por tonelada. Os representantes das cooperativas reivindicavam o pagamento de R$ 658. Após várias rodadas de negociação, o valor acordado foi de R$ 420 por tonelada.
O presidente da CMTU, Carlos Alberto Geirinhas, disse esperar que a nova forma de contrato garanta a eficiência do serviço, já que os próprios recicladores poderão aumentar a renda de acordo com o volume coletado. "Agora eles vão gastar mais tempo para reciclar com mais profundidade para que realmente diminuamos esses inservíveis que eram destinados à CTR [Central de Tratamento de Resíduos]", ressaltou.
Geirinhas explicou que as cooperativas eram remuneradas de acordo com seis itens estabelecidos nos contratos. No entanto, os fiscais da Companhia não conseguiam fiscalizar atividades como as visitas às residências. O novo modelo considera três itens: pagamento em dia do INSS dos trabalhadores, valor do barracão de reciclagem e tonelada coletada.
Segundo a assessora jurídica da CMTU, Tatiana Muller, as cooperativas justificaram a necessidade de receber R$ 420 por tonelada para a manutenção do sistema. "Eles nos apresentaram uma proposta fundamentada nos gastos e também se comprometeram a reduzir custos para melhorar a gestão dos recursos", explicou
Com os novos valores, a Companhia deve economizar até 20% com o serviço de coleta seletiva. O gasto é estimado em até R$ 500 mil mensais. No início de 2013, o município chegou a destinar R$ 1,1 milhão pela execução do serviço.
Cada cooperativa já receberá o valor referente à quantidade reciclada desde o dia 1º de janeiro deste ano. Juntas, Cooper Região, Cooperrefum, Cocepeve, Coperoeste e Coopermudança são responsáveis pela coleta seletiva nos 212 mil domicílios. A CMTU estima que mil trabalhadores estejam atuando nas cinco cooperativas.
A presidente da Cocepeve, Sandra Araújo, comemorou o resultado. Há seis meses, os catadores esperavam retomar às atividades e mantinham negociações com a CMTU. "Agora ficou mais organizado", admitiu. O presidente da Cooper Região, Zaqueo Vieira, comentou que "o contrato ficou justo". A equipe trabalha com cinco barracões e sete caminhões. "A gente espera que possa superar as dificuldades e melhorar a renda", disse.
Já a presidente da Cooperrefum, Selma Maria de Assis, contou que ainda não conseguiu avaliar se o acordo foi positivo para os trabalhadores. "A gente ainda não tem muita noção dos gastos, mas vai se adequar a esse contrato", disse. A cooperativa formada recentemente atua nas regiões norte e leste. Os trabalhadores já possuem dois barracões e devem alugar caminhões para executar os serviços.
A CMTU estima de apenas 5% de todo o lixo produzido em Londrina é reciclado pelas cooperativas. O índice equivale a até 30 das 450 toneladas produzidas diariamente. A meta do município é atingir 10% do volume total até o final de 2014. Para o presidente da CMTU, as cooperativas poderiam reciclar até 30% do volume de lixo total.
Os contratos assinados ontem são válidos pelo período de um ano. Os recicladores terão que agendar a pesagem dos materiais com 24 horas de antecedência na CMTU.


