Londrina - Parecia ser apenas mais uma noite quente de janeiro de 2015. O operador de máquinas Diego Silvério, 26, a esposa e a filha de dois anos dormiam tranquilamente, no Jardim Planalto, Zona Norte de Londrina, quando ouviram um estalo no ventilador da casa. O aparelho estava funcionando no chão, perto de onde eles estavam. Ainda era madrugada e a família não se incomodou com o barulho. Só depois que amanheceu é que a razão do ruído foi descoberta: uma cobra havia entrado no quarto e se enrolado na hélice do ventilador. Por sorte, o aparelho se quebrou, matando o réptil.
"Ficamos muito assustados, tanto que dormimos na casa da minha sogra naquele dia", conta Silvério. O casal fez uma busca na casa e mandou roçar o terreno nos fundos da residência, a fim de exterminar qualquer possibilidade do episódio se repetir.
O problema é que o susto que a família levou chega a fazer parte da rotina da vizinhança. Cercadas de mato alto, as ruas do bairro colecionam terrenos baldios onde se pode encontrar muito mais do que serpentes – há relatos de escorpiões, aranhas, ratos e até lagartos. "Outro dia, vimos que o nosso cachorro não estava entrando na casinha. Fomos ver o que era e tinha uma aranha preta, daquelas grandes e peludas, lá dentro", completa o operador de máquinas.
De acordo com o gerente de Resíduos da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina, Gilmar Domingues, terrenos baldios tomados por matagais são um problema com implicações que vão muito além da saúde pública. "Propiciam roedores, cobras e insetos de todo tipo e podem servir ainda como esconderijo para pessoas. Quando não se cuida dessas áreas, falta-se com o respeito a vizinhos e à própria família. Os malefícios acabam voltando para si", reforça.
Conforme Domingues, o Jardim Planalto ainda deve entrar no cronograma de limpezas a serem executadas pela prefeitura. Pelo menos uma reclamação sobre o estado do bairro já foi levada neste ano ao SAC da CMTU. Neste caso, equipes do município devem fazer a roçagem das áreas baldias e depois notificar os proprietários para efetuarem o pagamento da manutenção. Por enquanto, apenas terrenos dos bairros Esperança (Zona Sul), Parque Universidade (Zona Oeste) e Jardim Paulista (Zona Norte) receberam o serviço. Ao todo, foram atendidos 158 terrenos, totalizando 41 mil m². O custo de cada metro quadrado capinado é de R$ 2 mais taxas.
"Estamos norteando nossas ações pelo mapeamento que nos é fornecido pela Secretaria de Saúde", assinala Domingues, ao destacar que o serviço é emergencial e nem precisaria ser feito pela CMTU se houvesse mais colaboração por parte dos munícipes. "O Código de Posturas é bastante claro ao atribuir a responsabilidade da roçagem dos terrenos particulares e calçadas fronteiriças ao dono", pontua. (A.L.)

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