Brasília, 23 (AE) - A partir do dia 1º de junho, a Taxa Referencial (TR) terá uma nova forma de cálculo, que foi aprovada hoje na reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN). Segundo explicou o diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Luiz Fernando Figueiredo, a TR será calculada de forma a corresponder sempre a 65% da Taxa Básica Financeira (TBF) líquida. Essa taxa, divulgada pelo Banco Central, é calculada com base na média dos Certificados de Depósito Bancário (CDB) de bancos comerciais.
A forma de cálculo da TR, de agora em diante, independerá do nível das taxas de juros. Ou seja, ainda que haja uma queda ou uma alta dos juros, a TR sempre equivalerá a 65% da TBF Líquida. Segundo Luiz Fernando Figueiredo, a idéia é acabar com as oscilações da TR em função da variação de número de dias úteis e eliminar as distorções entre a remuneração da poupança e a correção dos pagamentos do sistema financeiro.
A nova fórmula da TR também vai incluir, segundo o diretor de Política Monetária do Banco Central, um redutor diário da taxa, de forma que, no fim do mês, essa taxa sempre venha a equivaler a 65% da TBF Líquida.
área agrícola - O Conselho Monetário Nacional aprovou apenas um voto da área agrícola. É o que inclui ordenhadeiras mecânicas e tanques de resfriamento de leite numa linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para investimentos na agropecuária.
O voto foi aprovado para atender o programa de modernização do setor, proposto pelas entidades da pecuária leiteira. O assessor do Ministério da Fazenda para a área agrícola, Gerardo Fonteles, explicou que os financiamentos terão juros de 11,95% ao ano, com prazo de cinco anos de pagamento e as indústrias deverão contribuir com 4% para um fundo de proteção, caso haja alteração na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que corrige os financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
A expectativa do Ministério da Agricultura e dos produtores de leite era que hoje fosse aprovado o voto que criava a Cédula de Produto Rural (CPR) do leite. Fonteles disse, no entanto, que houve divergências em relação ao preço de referência do produto, que deve ser fixado no voto. O assunto ficou, então, para ser discutido na próxima reunião do Conselho Monetário Nacional.
O custo médio das ordenhadeiras e tanques de resfriamento de leite fica entre R$ 9 mil e R$ 16 mil e o valor total da linha de financiamento criada pelo BNDES é de R$ 200 milhões. Assim, o acesso do produtor rural ao financiamento desses equipamentos vai depender da disponibilidade dos recursos.

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