CMN aprova o fim do limite vendido de câmbio
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quarta-feira, 27 de outubro de 1999
Por Vânia Cristino, Lu Aiko Otta e José Ramos 
Brasília, 28 (AE) - O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu hoje acabar com o limite de posição vendida de câmbio das instituições financeiras. Segundo o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, este limite, que era equivalente a uma vez o patrimônio líquido ajustado da instituição financeira, não tinha mais razão para existir depois que o próprio CMN impôs restrições para a exposição cambial total dos bancos. Ele informou, ainda, que a medida poderá ajudar a aumentar a liquidez em dólares na economia brasileira, ajudando a aliviar as pressões sobre a cotação.
De acordo com Figueiredo, o risco cambial total dos bancos está limitado, pela Resolução 2606, a 60% do patrimônio líquido ajustado. Isso significa que a diferença entre a posição comprada (dólar em carteira) e a posição vendida (dívidas em moeda estrangeira) não pode ultrapassar a 60% do patrimônio líquido ajustado de cada instituição financeira. O limite para a posição vendida era, portanto, uma espécie de "sub-limite" no total permitido para a exposição global em câmbio da instituição financeira.
"Potencialmente, a oferta de dólares fica maior", disse o diretor. "Os bancos que se encontravam próximos do limite agora poderão vender mais dólares no mercado à vista." Ele negou, porém, que a medida tenha sido adotada em função da alta do dólar observada nas últimas semanas. "A eliminação do limite estava para acontecer há bastante tempo, mas era uma decisão para ser discutida no CMN, e o CMN não acontece só quando o dólar está pressionado", disse ele.
Figueiredo disse ainda que o CMN aprovou uma pequena mudança nos contratos a termo de câmbio efetuados entre instituições financeiras. A partir de agora, esses contratos devem ser registrados nas posições de câmbio das instituições dois dias antes do seu vencimento - e não apenas na data de vencimento, como estava previsto anteriormente.
Segundo ele, a mudança foi feita para compatibilizar esses contratos com as posições à vista das instituições. "A medida só altera uma nuance nas operações a termo, simplesmente para que elas funcionem melhor", comentou o diretor.


