Clube SOS Orquídeas promove exposição em São Paulo
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de março de 1999
Por Liana John 
São Paulo, 08 (AE) - Abre na quarta-feira (10) e vai até o dia 28, em São Paulo, uma exposição em homenagem à "Rainha do Nordeste", a orquídea Cattleya labiata. O objetivo do projeto do Clube SOS Orquídeas, formado por colecionadores, é dar ao público a chance de conhecer melhor as diversas espécies de orquídeas e engrossar o movimento para salvá-las. Fácil de cultivar, a Cattleya tem uma das maiores flores dentre as orquídeas brasileiras, com variações do branco ao púrpura-escuro e está em floração nesta época do ano.
Haverá uma competição entre especialistas, com prêmios distribuídos pela Sociedade Bandeirante de Orquídeas, e sorteios de mudas para crianças de até 12 anos. Outros três eventos semelhantes estão programados para este ano, "para mobilizar o público em defesa das orquídeas do Brasil", segundo Peter Meyer Pflug, do Orquidário Morumbi.
Existem aproximadamente 2.300 espécies de orquídeas nativas conhecidas e estima-se que centenas de outras ainda sejam desconhecidas. Elas ocorrem em quase todos os ecossistemas brasileiros, da floresta tropical mais densa aos rochedos das montanhas mais altas. Pelo menos 300 delas estão ameaçadas pela coleta ilegal, pela destruição de hábitats e pela ignorância.
Em geral, as orquídeas são coletadas ilegalmente em remanescentes florestais ou área de preservação, muitas vezes durante a delicada fase de floração. Elas são fáceis de retirar do hábitat e de esconder. Mas são difíceis de manter, porque "têm exigências muito específicas quanto às condições de temperatura, umidade, luz, acidez, nutrientes e até de interdependência com outras espécies, vegetais e animais", explica Peter Meyer. É muito frequente, portanto, que não se reproduzam todas as estas condições num viveiro e a planta coletada morra, mesmo quando em mãos de especialistas.
As orquídeas são destruídas pela mudança das condições naturais de seu habitat. Não só pelo desmatamento direto, mas também por alterações no microclima, provocadas por uma queimada numa área próxima ou pelo corte seletivo de árvores, ou ainda em consequência da aplicação de pesticidas nas vizinhanças. Os pesticidas matam os polinizadores, ameaçando sua sobrevivência de longo prazo.
As campanhas do SOS Orquídeas levantam recursos para um fundo, que sustenta centros de educação ambiental e viveiros. Ensinando a reproduzir e cultivar orquídeas, Meyer acredita que poderá diminuir a pressão de coleta na natureza. Ele já conseguiu catalogar 72 espécies das mais ameaçadas e está produzindo matrizes e sementeiras. Quando se reproduzirem terá início a fase de reintrodução nos remanescentes de floresta degradados. Mesmo antes de obter patrocínio de empresas ou doações, três organizações não-governamentais - a SOS Mata Atlântica, a Amigos da Barra do Una (de São Paulo) e a Fundação Garcia Dávila (da Bahia) - já trabalham com o Clube SOS Orquídeas nesta reintrodução.
O SOS Orquídeas tem cinco meses 1.800 sócios. As adesões são feitas diretamente no Orquidário Morumbi ou através da Internet (http://www.sosorquideas.com.br ou email sosorquí[email protected]). Serviço: Exposição Cattleya labiata de 10 a 28 de março, de segunda a domingo, das 9 às 19 horas, na Av. Giovanni Gronchi, 6829, Morumbi, São Paulo, SP, telefone (011) 8466433.


