Cloreto é encontrado no lugar de glicose
Agência Estado
Do Rio
O Ministério da Saúde poderá ser alertado hoje pela Secretaria da Saúde do Espírito Santo para a possibilidade de um lote de ampolas de glicose ter sido trocado por outro, de cloreto de potássio - substância letal se aplicada pura na corrente sanguínea. O secretário da Saúde capixaba, João Felício Scárdua, disse que vai procurar hoje a direção do Laboratório Hipolabor, de Sabará (MG), que teria produzido as drogas trocadas, para esclarecer se a confusão realmente ocorreu. Caso comprove o problema, vai avisar o ministério, em Brasília.
Vamos procurar amanhã (hoje) a direção do laboratório para confirmar se eles produziram os dois produtos, se não houve alguma fraude, disse Scárdua. O laboratório é pequeno, ainda não sei se faz distribuição para outros Estados.
A Agência Estado procurou o farmacêutico responsável pelo Laboratório Hipolabor, Renato Silva, por meio de seu aparelho celular, mas o telefone estava desligado ou fora da área de cobertura. Silva preparava um levantamento sobre o total de caixas do lote S00899, que teriam sido distribuídas. O temor das autoridades é que caixas trocadas tenham sido mandadas para outros locais.
Na sexta-feira passada, o médico Homero Doyle, da Santa Casa de Misericórdia de Guaçuí (ES), constatou que as substâncias haviam sido trocadas quando preparava ampola para injetar em um paciente.
A direção da clínica, então, fez um levantamento e constatou que havia uma caixa de solução de glicose 50%, lote S00899, onde estavam cerca de cem ampolas de cloreto de potássio 19%.
A Secretaria da Saúde não soube informar quantas caixas do lote de glicose podem ter sido distribuídas. No sábado, Scárdua começou a alertar hospitais, farmácias e secretarias municipais do setor sobre a possível troca de medicamentos. Ele também pediu atenção aos médicos, enfermeiros e farmacêuticos na utilização das ampolas.
A glicose é muito usada para reanimar pessoas que abusaram da bebida alcoólica, por isso seu uso é corriqueiro em hospitais. Sua solução pode ser aplicada na veia ou diluída em soro. Já o cloreto de potássio é um produto utilizado em casos de desidratação, mas não pode ser injetado na veia - deve, sempre, ser diluído em soro. Em estado puro, causa morte imediata.
A injeção de cloreto de potássio teria sido uma das formas encontradas pelo auxiliar de enfermagem Edson Izidoro para matar pacientes em um hospital do Rio para receber comissão de funerárias, segundo acusação feita pela Polícia Civil do Estado. O funcionário do Hospital Salgado Filho, suspeito de matar mais de cem pacientes, foi preso em maio e responde a inquérito policial.
Crime Um homem morreu anteontem em Taubaté (SP) após ser atingido em uma troca de tiros com dois policiais militares. Jorge Luís de Souza, 33 anos, foi baleado na perna, nas nádegas e no peito. Ele morreu no Pronto-Socorro Municipal. De acordo com a Polícia Militar, Souza estaria tentando extorquir duas pessoas, identificadas como Carlos e Wellington, quando os policiais chegaram. Segundo a polícia, Souza, que estava com um revólver calibre 38, reagiu e começou um tiroteio com os PMs.





